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Ações de governo não surtem efeito eleitoral, mostra pesquisa Quaest

A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest mostra uma leve recuperação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas também revela limites importantes da estratégia do governo para tentar reduzir a rejeição entre setores da classe média e do eleitorado do Sudeste. O levantamento indica melhora na aprovação do governo, avanço nas intenções de voto e redução da percepção negativa sobre os rumos do país, embora a violência continue aparecendo como principal preocupação nacional.

A aprovação do governo subiu de 43% para 46%, enquanto a desaprovação caiu de 52% para 49%. Também houve melhora na percepção sobre a direção do país. Os que consideram que o Brasil está no rumo errado caíram de 58% para 53%. Já os que avaliam que o país segue na direção certa passaram de 34% para 38%.

Na disputa presidencial, Lula ampliou sua vantagem no primeiro turno. Ele passou de 37% para 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro oscilou de 32% para 33%. Em cenários de segundo turno, Lula aparece empatado tecnicamente com Flávio, por 42% a 41%, mas abre vantagem mais confortável diante de outros nomes testados, como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos.

Os dados regionais confirmam que o Nordeste segue sendo a principal fortaleza eleitoral do presidente. Na região, Lula aparece com 58% das intenções de voto no primeiro turno, contra 26% de Flávio Bolsonaro. Já no Sudeste, principal colégio eleitoral do país, há empate técnico, com 34% para Lula e 35% para o senador do PL. No Sul, Flávio Bolsonaro lidera por 40% a 28%.

A pesquisa também evidencia um recorte religioso importante para 2026. Entre católicos, Lula lidera com ampla vantagem, registrando 48% contra 28% de Flávio Bolsonaro. Entre evangélicos, o cenário se inverte. O senador aparece com 49%, enquanto Lula tem 25%.

Os números sugerem ainda que uma das principais apostas econômicas do governo não produziu o impacto político esperado. A proposta de ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais ainda não alterou de forma significativa a percepção negativa em segmentos de renda média. Mesmo entre os beneficiados pela medida, 52% desaprovam o governo e 43% aprovam. Entre os eleitores com renda acima de cinco salários mínimos, a desaprovação chega a 58%.

O desempenho de Lula continua mais forte entre mulheres, idosos e eleitores de menor renda. Entre os que recebem até dois salários mínimos, a aprovação do governo chega a 53%, contra 40% de desaprovação. Já entre homens, jovens e moradores do Sudeste, o governo mantém dificuldades mais evidentes.

A violência aparece novamente como o principal problema do país para os entrevistados, sendo citada por 33%. Corrupção surge em segundo lugar, com 18%. O dado ajuda a explicar a tentativa do governo federal de colocar a segurança pública no centro da agenda política. Nesta semana, Lula lançou um novo pacote de medidas para a área, numa movimentação voltada a responder justamente ao tema que mais preocupa o eleitorado atualmente.

A pesquisa também mediu a repercussão do encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Cerca de 70% disseram ter conhecimento da reunião. Para 37%, o encontro foi mais positivo para Lula, enquanto 20% avaliaram que foi negativo. A maioria classificou a postura do presidente brasileiro como amigável, com 56%, contra 13% que a consideraram dura.

Os números mostram ainda que a relação com os Estados Unidos encontra respaldo amplo na opinião pública. Para 56% dos entrevistados, o Brasil deve manter relação de aliado com os norte-americanos. Outros 29% defendem uma posição independente e apenas 6% consideram que o país deveria atuar como opositor.

A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 8 e 12 de maio de 2026, em entrevistas presenciais realizadas em todo o país. O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%.


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Heverton de Freitas