No primeiro ano completo de operação sob a gestão da Zurich Airport Brasil, o Aeroporto Internacional de Natal registrou movimentação de 2,4 milhões de passageiros em 2025, consolidando a retomada do ativo após o processo de relicitação e marcando a entrada em um novo ciclo operacional.
Os dados constam no relatório de administração da concessionária. Do total, 2,3 milhões de passageiros foram domésticos, , enquanto cerca de 100 mil passageiros foram internacionais, ainda com participação reduzida, mas apontado como vetor de expansão.
O desempenho ao longo do ano foi condicionado por ajustes relevantes na oferta de voos. No primeiro semestre, a LATAM reduziu cerca de 230 mil assentos, o equivalente a 9% da oferta total do aeroporto, em meio a negociações relacionadas ao ICMS sobre o combustível de aviação. Ao longo do ano, o acordo foi restabelecido, permitindo a recomposição de aproximadamente 128 mil assentos. Em paralelo, houve diversificação da malha, com a Gol adicionando cerca de 120 mil assentos e a entrada da empresa chilena JetSmart com voos para Buenos Aires. Ainda assim, a oferta total de assentos teve redução líquida de 5% em 2025, pressionada também pela suspensão das operações da Voepass e ajustes da Azul, que entrou em recuperação judicial nos EUA, apesar disso a demanda por passageiros seguiu em crescimento no período.
O desempenho operacional sustentou o avanço financeiro da companhia. A receita líquida atingiu R$ 124,9 milhões, alta de 25,9% em relação aos R$ 99,2 milhões de 2024, enquanto o lucro líquido somou R$ 23,8 milhões, mais que o dobro aos R$ 9,6 milhões registrado no ano anterior. Esse avanço é explicado não apenas pelo volume de passageiros, mas pela otimização do mix de lojas e serviços aeroportuários, marca registrada da operadora suíça.
A geração de caixa operacional chegou a R$ 51,3 milhões, permitindo à empresa manter o ciclo de investimentos e distribuir proventos.
A concessionária investiu R$ 30 milhões em melhorias de infraestrutura e modernização do terminal, principalmente com uma usina solar com previsão de conclusão este ano que torna o aeroporto autossuficiente na geração de energia.
Apesar do avanço financeiro mais acelerado, o crescimento no número de passageiros foi mais moderado. Segundo o CEO da Zurich Airport Brasil, Ricardo Gesse, o fluxo total teve alta de cerca de 1% na comparação com 2024.
Carga aérea e malha internacional
Além do transporte de passageiros, o relatório aponta a carga aérea como uma frente relevante para diversificação de receitas. A concessionária indica potencial de crescimento do segmento, ainda com baixa participação no terminal.
Outro eixo estratégico é o fortalecimento da malha internacional. Embora tratado de forma prospectiva no documento, o movimento já começa a se materializar, com a ampliação de conexões para destinos fora do país, como Montevidéu, reforçando a presença no mercado sul-americano.
Contudo, o cenário macroeconômico pode afetar essa projeção em virtude da instabilidade dos preços dos combustíveis de aviação desde a deflagração da guerra dos EUA contra o Irã.
No campo ambiental, o projeto Water Project e a instalação de usinas solares colocam o aeroporto no caminho da certificação Airport Carbon Accreditation (ACA) Nível 4. O objetivo é ambicioso: atingir a neutralidade em carbono (Net Zero) nos próximos anos, seguindo o padrão já estabelecido pela operadora em Florianópolis e Vitória.
A estratégia combina expansão gradual do fluxo, aumento da conectividade e diversificação de receitas. Com base mais estável após o primeiro ano completo de operação, o aeroporto agora tem a expectativa de aceleração no volume de passageiros e continuidade dos investimentos.