A disputa pelo comando do espólio político do ex-presidente Jair Bolsonaro ganhou um novo capítulo neste fim de semana, com uma troca pública de ataques entre a senadora Damares Alves e os influenciadores Paulo Figueiredo e Allan dos Santos, ambos alinhados ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro. O episódio é mais um sinal da disputa interna entre o grupo liderado por Eduardo e o núcleo político ligado à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
O estopim foi a indefinição de Damares sobre sua participação em um encontro de mulheres conservadoras organizado pelo senador Flávio Bolsonaro, marcado para a próxima quarta-feira. Questionada sobre o convite, a ex-ministra respondeu que ainda estava "orando" antes de tomar uma decisão.
A declaração desagradou o grupo de Eduardo Bolsonaro, que passou a pressionar publicamente a senadora. Os ataques partiram principalmente da chamada "turma do Tio Sam", apelido dado aos aliados de Eduardo que vivem nos Estados Unidos e atuam intensamente nas redes sociais em defesa do deputado e de suas posições políticas.
Allan dos Santos foi o primeiro a subir o tom. Ao compartilhar uma publicação de uma influenciadora bolsonarista, afirmou que Damares "nem deveria ir" ao evento porque "não faz falta nenhuma". Também ironizou a postura da senadora ao sugerir que ela marcasse "uma oração e um chá" com parlamentares consideradas adversárias do bolsonarismo, como Leila Barros e Eliziane Gama, enquanto, segundo ele, "a militância, as tias do zap, os tios do churrasco e os jovens estão segurando as pontas".
Na sequência, Paulo Figueiredo também entrou na disputa. Compartilhando a notícia sobre a indecisão de Damares, ironizou que, se o encontro fosse promovido por integrantes da esquerda, "estariam todas unidas", numa tentativa de associar a hesitação da senadora à falta de compromisso com o grupo de Flávio Bolsonaro.
A resposta veio poucas horas depois. Em uma longa publicação na rede X, Damares rebateu diretamente Paulo Figueiredo. A senadora se apresentou como alguém que enfrenta "pedófilos, corruptos e o crime organizado" pessoalmente e afirmou que não faz política "atrás de um computador", em referência ao fato de o influenciador morar nos Estados Unidos.
Damares também desafiou Figueiredo a visitar seu gabinete em Brasília para conhecer o que chamou de "batalhas reais". "Venha mesmo me visitar, mas só venha se tiver coragem, pois aqui as batalhas são reais", escreveu. Na mensagem, acrescentou ainda que faz oposição "sem agredir a honra ou a moral das pessoas" e encerrou a publicação com a frase "Que Deus o abençoe".
O confronto evidencia o agravamento da disputa entre os diferentes grupos que hoje disputam influência sobre o eleitorado bolsonarista. De um lado estão Eduardo Bolsonaro e sua rede de influenciadores digitais, que defendem uma linha de confronto permanente e têm Paulo Figueiredo e Allan dos Santos entre seus principais porta-vozes. Do outro, Michelle Bolsonaro vem ampliando seu protagonismo político, cercada por aliados como Damares Alves, que é considerada uma de suas mais fiéis escudeiras e uma das principais vozes do segmento evangélico dentro da direita.