A primeira pesquisa Genial/Quaest divulgada após a divulgação das mensagens trocadas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro mostra uma pequena folga para o presidente Lula na sua tentativa de reeleição. No primeiro turno, Lula tem 39% contra 29% do candidato do PL. Renan Santos e Ronaldo Caiado tem 3% cada um e Romeu Zema aparece com 2% empatado com Aécio Neves que ainda não confirmou se será candidato.
No mais provável cenário de segundo turno de Lula contra Flávio Bolsonaro, o candidato petista chega a 44% contra 38% do senador do PL e 14% que disseram não votar em nenhum deles. Se o adversário foi Zema ou Caiado, a diferença a favor de Lula chega a 10 pontos percentuais.
A eleição polarizada será na verdade uma disputa entre rejeições e nesse sentido, Lula leva vantagem. Perguntado sobre quem dá mais medo, o levantamento aponta que 44% têm mais medo de Bolsonaro e 40% mais medo de Lula.
Dark Horse
O pedido de dinheiro do senador Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro causou um grande dano à candidatura dele. Pela pesquisa 67% se disseram informados sobre o caso e 65% acham que ele errou em pedir dinheiro ao banqueiro e 60% acham que as conversas dele com o banqueiro levantaram suspeitas. A maioria também acha que Flávio Bolsonaro está escondendo envolvimento ilegal no caso do banco Master e 62% que ele sabia que Daniel Vorcaro está envolvido em corrupção.
Mesmo com todo o escândalo envolvendo o banco e o pedido de dinheiro do candidato do PL ao banqueiro, 26% responderam que ainda votariam nele e 6% afirmaram que aumenta a vontade de votar em Flávio Bolsonaro enquanto 12% responderam que diminui a vontade de votar nele.
Trump e o Brasil
A classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas pelo governo americano divide o eleitorado com 45% achando que os americanos devem mesmo fazer isso e outros 45% que não deveria. Mas 60% não sabem que pessoas e empresas ligadas a esse grupo podem sofrer punições financeiras.
Já em relação às tarifas do governo americano, 51% nem sabiam da possível medida, mas 55% acham que a medida, se for concretizada, poderá prejudicar sua vida. Eleitoralmente a medida ajuda o presidente Lula. Dos entrevistados pela Quaest, 47% concordam com o presidente que acusa o adversário de ter pedido novas tarifas contra o Brasil e 35% concordam com Flávio que diz que pediu a Trump para não impor novas tarifas.
A narrativa de que as novas medidas são uma retaliação ao Pix é considerada a mais verossímil por 46% dos entrevistados contra 36% que acham que as medidas são contra o posicionamento de Lula contra os EUA.
Uma pergunta resume bem todo esse contexto em termos das eleições. Para 39% o tarifaço aumenta a vontade de votar em Lula contra 30% que aumenta a vontade de votar em Bolsonaro.
Economia ruim
Inflação dos alimentos continua sendo uma âncora que impede o crescimento da aprovação do governo Lula. Isso é o que mostra a pesquisa Genial Quest divulgada nesta quarta-feira (10) e que revela uma melhora, ainda muito pequena, nos índices de intenção de voto para o presidente Lula em relação ao candidato do PL, Flávio Bolsonaro. A pesquisa mostrou que 48% desaprovam o governo contra 47% que aprova.
De acordo com o levantamento, 69% ainda respondem que o preço dos alimentos subiu no último mês e 44% acham que a economia do Brasil piorou nos últimos 12 meses como consequência 67% acham que o poder de compra dos brasileiros está menor, mesmo com as medidas do governo como aumento do salário-mínimo, isenção do IR para quem ganha até 5 salários e Desenrola.
A polarização e a vida real não refletem os dados positivos da macroeconomia divulgados nos últimos meses como o menor nível de desemprego no Brasil. Nada menos do que 53% acham que está mais difícil conseguir emprego hoje do que há um ano.
Em relação às medidas específicas, 65% disseram não ter sido beneficiados pela isenção do IR, 42% não sentiram diferença e 34% sentiram a diferença na renda, mas muito pouco. Em relação ao Desenrola, 46% disseram ter poucas dívidas e 30% não tem dívidas contra apenas 23% que responderam ter muitas dívidas. Apesar disso, 50% consideram o programa uma boa ideia e 20% uma ideia que ajuda um pouco. Mesmo assim 88% disseram não ter sido beneficiados com o programa.
A pesquisa foi feita entre os dias 5 e 8 de junho e ouviu 2004 pessoas em todo o Brasil.