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CNI publica anúncio contra redução da jornada em ano eleitoral

A Confederação Nacional da Indústria criticou as propostas em debate no Congresso Nacional que tratam da redução da jornada semanal de trabalho e do fim da escala 6x1. A entidade afirma que mudanças desse porte podem gerar impactos relevantes sobre custos, emprego e competitividade da economia brasileira.

Segundo a CNI, o tema é legítimo, mas exige análise técnica mais aprofundada. A confederação reúne 869 entidades, entre federações estaduais, associações setoriais, sindicatos e frentes parlamentares, que acompanham a discussão.

Estimativas citadas pela entidade indicam que a redução da jornada para 40 horas semanais pode elevar em até R$ 267 bilhões por ano os custos com trabalhadores formais, o que representaria um aumento de até 7% na economia. No setor industrial, o impacto seria proporcionalmente maior, com alta de cerca de 11%, equivalente a R$ 88 bilhões.

Levantamentos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas apontam ainda a possibilidade de queda no Produto Interno Bruto de até 11,3%, segundo simulações consideradas pela indústria.

A CNI também chama atenção para a produtividade do trabalho no país. Dados da Organização Internacional do Trabalho indicam que o Brasil ocupa a 100ª posição em um ranking de 189 países. Desde 1981, a produtividade média cresceu apenas 0,2% ao ano.

Na avaliação da entidade, o limite atual de 44 horas semanais permite maior flexibilidade para acordos coletivos e adaptação às características de cada setor, empresa e região. A média efetiva de trabalho no país já gira em torno de 39 horas semanais, considerando diferentes regimes.

A confederação alerta ainda para possíveis efeitos sobre inflação, aumento de importações, pressão sobre o déficit fiscal e dificuldades de reposição de mão de obra em um cenário de mercado de trabalho aquecido.

Outro ponto levantado é o momento do debate. Para a CNI, a discussão não deveria avançar em um ano eleitoral, sob risco de sofrer influência política e comprometer uma análise mais equilibrada.

A entidade defende que eventuais mudanças na legislação trabalhista sejam baseadas em estudos técnicos, diálogo com os setores produtivos e avaliação dos impactos de longo prazo sobre o ambiente de negócios e a geração de empregos formais.


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