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Dino manda CGU fazer Tomada de Contas nas emendas parlamentares para a Codevasf

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o Poder Executivo federal instaure, no prazo de até 60 dias, um processo de Tomada de Contas Especial para apurar e recuperar valores supostamente pagos de forma irregular por meio de emendas parlamentares destinadas à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

A decisão foi proferida após a conclusão de uma análise técnica conduzida pela Controladoria-Geral da União (CGU), a pedido do próprio ministro, para investigar indícios de irregularidades nos repasses realizados pela Codevasf e pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). Segundo o despacho, os indícios foram “evidenciados por sucessivas operações policiais” e revelam uma desproporção na destinação de recursos a esses órgãos em comparação com outras áreas da administração federal.

A Tomada de Contas Especial é um instrumento administrativo utilizado para identificar responsáveis por eventuais danos ao erário, quantificar prejuízos e promover o ressarcimento aos cofres públicos. Na prática, o procedimento pode resultar na responsabilização de gestores públicos e privados, além de encaminhamentos a órgãos de controle e ao Ministério Público.

Na decisão, Dino destaca que o volume de recursos canalizados por meio de emendas parlamentares para a Codevasf e o Dnocs, especialmente nos últimos anos, tem sido objeto de questionamentos recorrentes, inclusive com a deflagração de operações policiais que investigam suspeitas de desvios, fraudes em licitações e uso político dessas verbas.

O ministro também chama atenção para a necessidade de maior transparência e rastreabilidade na execução das emendas, ressaltando que a concentração de recursos em determinados órgãos pode indicar fragilidades nos mecanismos de controle e fiscalização.

A medida se insere em um contexto mais amplo de escrutínio sobre o modelo de execução das emendas parlamentares, que ganhou protagonismo no orçamento federal e passou a ser alvo de debates no próprio STF, sobretudo quanto à sua transparência, critérios de distribuição e efetividade.

Com a determinação, caberá ao Executivo instaurar o procedimento dentro do prazo fixado e adotar as providências necessárias para identificar eventuais irregularidades, quantificar os danos e buscar o ressarcimento dos valores. O resultado da Tomada de Contas Especial deverá ser encaminhado aos órgãos de controle competentes, podendo subsidiar novas investigações e medidas judiciais.

 


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