Caixa de marcha quebrada
Faltando apenas 3 dias para quem quiser mudar de partido aproveitando a janela da lei eleitoral sem correr riscos de ver o registro de sua candidatura questionado, o que não falta é movimento no mercado das nominatas. De acordo com um dirigente partidário, o que mais se vê nos últimos dias é gente com a “caixa de marcha quebrada”, de tanto engatar a primeira e depois dar a ré em seguida.
A única novidade nesta semana foi a filiação do deputado Ivanilson Oliveira ao PV. Ele era um dos cotados para ir para a nominata, sem partido até agora, do deputado Ezequiel Ferreira, mas também era cortejado pelo governo que quer reforçar os nomes na nominata da Frente formada por PT, PC do B e PV. Com a entrada dele, tem gente que estava de malas prontas para sair que já deu ré e agora parece que vai ficar.
É como diz o deputado Ubaldo Fernandes “está todo mundo em todo lugar e em lugar nenhum ao mesmo tempo”.
Até quarta-feira isso tudo deverá estar resolvido. Aí é cada um por si na disputa proporcional
O negócio de R$ 5 milhões que virou caso judicial
A decisão cautelar do Tribunal de Contas sobre sete terrenos na Via Costeira que não foram ocupados após quase 40 anos de concessão, trouxe à tona uma série de eventos que chamam a atenção de quem se der ao trabalho de ler o voto do conselheiro relator do processo, cujo acórdão já foi publicado no Diário Oficial. Um dos concessionários, por exemplo, tentou vender seu terreno a um espanhol por R$ 5 milhões em 2005. O caso foi parar na justiça como pode ser constatado no Processo nº 0809157-42.2015.8.20.5001, que tramitou na 17ª Vara Cível de Natal.
Ali está documentado que, em 2 de setembro de 2005, uma das concessionárias firmou um Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda em favor de um cidadão espanhol pelo valor de R$ 5 milhões, mesmo estando expresso na Cláusula VII da Escritura Pública de Concessão que a concessionária assumiu a obrigação de "não transferir no período da concessão de uso, seja qual for a hipótese, o domínio, uso da gleba de terra de que trata este contrato, a terceiros, sob pena de rescisão automática independentemente da indenização, revertendo-se ao patrimônio da EMPROTURN, o imóvel cedido”.
Mais claro impossível.
A simulação reconhecida pelo TJRN
E não é só isso. Em 30 de abril de 2007, as partes firmaram um aditivo transformando a venda do imóvel em cessão de cotas da empresa.
Pouco depois, em 30 de maio de 2007, a alteração societária foi efetivada:
99% das cotas passaram para o espanhol e 1% para a esposa dele, transferindo, na prática, o controle da área pública.
O caso chegou ao Tribunal de Justiça do RN, que, ao julgar a controvérsia, foi categórico ao afirmar que houve simulação negocial para burlar a vedação legal. No acórdão, o TJRN afirma que o aditivo funcionou como um “manto” para encobrir a ilegalidade, reconhecendo a nulidade do negócio com base no art. 166 do Código Civil.
A decisão afirma que se tratava de um contrato juridicamente impossível: alienação de bem público por quem não podia dispor dele.
Acordo de R$ 10 milhões
Apesar da nulidade reconhecida judicialmente, os efeitos práticos do negócio se prolongaram. Segundo os próprios autos, o comprador permaneceu na posse direta da área desde 2005 até 2019.
O desfecho veio com um acordo firmado entre as partes e homologado judicialmente. A empresa concessionária pagou R$ 10 milhões ao espanhol e recebeu de volta a área correspondente, com o encerramento das disputas judiciais.
Lei prevê prazos descumpridos
Causaram surpresa as declarações do procurador Geral do Estado, Antenor Roberto, em audiência na Assembleia Legislativa criticando a decisão do TCE de suspender os atos firmados pelo Estado no formulação de termos aditivos prolongando o prazo das concessões vencidas cujos terrenos não foram efetivamente utilizados.
Ele alega que a renovação das concessões daria mais objetividade para se questionar o cumprimento dos prazos para utilização dos terrenos.
A tentativa de salvar as concessões com base em uma lei aprovada no ano passado na Assembleia, no entanto, também deixa os concessionários que não ergueram seus empreendimentos em maus lençóis. A lei 12.079 é de 17 de fevereiro de 2025 e no seu artigo 3º diz que “os titulares de concessões ficam obrigados a apresentarem aos órgãos licenciadores competentes os projetos de construções e instalações, atendendo a todas as exigências necessárias para sua tramitação, no prazo máximo de 12 (doze) meses, contados da vigência desta Lei”.
Ou seja, esse prazo terminou no dia 18 de fevereiro deste ano e, de acordo com as diligências feitas pelos técnicos do TCE, só foram encontrados dois processos de licenciamento. Um requereu, em 27 de fevereiro de 2025, licença para funcionamento de uma “casa de festas e eventos”, com área construída de apenas 110,39 m² quando o terreno do qual possui a concessão é de mais de 40 mil metros quadrados.
O outro apresentou proposta para implantação de uma “casa de shows” com área construída de 711,92 m² em um terreno de aproximadamente 13 mil metros quadrados.
Não há, como diz a lei, projetos que atendam todas as exigências necessárias para sua tramitação.
De toda forma, o julgamento no TCE foi na análise de uma medida cautelar. O Tribunal ainda vai julgar o mérito do processo. Aos que perderam as concessões, se não conseguirem reverter, resta a opção de participar de uma licitação, caso o governo do Estado decida fazer nova concessão das áreas.
Deputado cobra convocação na Polícia Civil
O deputado Adjuto Dias (PL) subiu ao tom na Assembleia Legislativa para exigir que o Governo do Estado cumpra a decisão judicial que ordena a nomeação dos aprovados no concurso da Polícia Civil. O imbróglio se arrasta desde 2020 e, após seis anos de espera, muitos candidatos já concluíram até o curso de formação. Para o parlamentar, a convocação imediata é uma questão de coerência: se a gestão estadual prega o investimento em segurança pública, precisa primeiro honrar o certame e reforçar o efetivo nas delegacias.
Líderes católicos barrados no Santo Sepulcro
Neste Domingo de Ramos (29), a polícia israelense impediu o Cardeal Pierbattista Pizzaballa e o Custódio da Terra Santa, Pe. Francesco Ielpo, de acessarem a Basílica do Santo Sepulcro para a missa oficial. Segundo o Patriarcado Latino, esta é a primeira vez em séculos que as principais autoridades da Igreja são bloqueadas de celebrar a data no local sagrado. A instituição classificou a medida como "irracional e desproporcional", ferindo a liberdade de culto e o protocolo histórico da região. O incidente agrava o clima de tensão na Semana Santa, já marcada pelo cancelamento de procissões devido ao conflito no Oriente Médio.
O drible do marketing
O icônico corte "Cascão" de 2002 não foi só estratégia de campo, mas o combustível para uma das maiores jogadas de marketing recentes. Um suposto vazamento no Reddit balançou as redes esta semana. Rascunhos de 2002 mostravam que o corte "Cascão" de Ronaldo Fenômeno teria o formato exato do logo da Doritos. O boato, alimentado por um vídeo viral do comentarista Pedro Certezas, sugeria que o visual icônico era uma campanha publicitária que acabou abortada escondida há 22 anos. Mas tudo não passou de uma jogada de marketing atual. A marca assumiu que orquestrou toda a "teoria da conspiração" para lançar sua nova campanha, provando que o marketing de guerrilha ainda é o rei do engajamento. A farsa escalou organicamente até a revelação da campanha "A Teoria do Triângulo". Com inteligência, a marca transformou um mito do futebol em um fenômeno de engajamento atual.
O "vazamento" para engajar
A estratégia da Doritos com Ronaldo Fenômeno é uma aula de marketing de influência. Ao plantar "provas" no Reddit e usar o comentarista Pedro Certezas para validar a farsa, a marca utilizou o efeito de confirmação: as pessoas queriam acreditar que o mistério de 2002 tinha uma explicação oculta. Esse tipo de "vazamento planejado" gera um alcance orgânico impossível de comprar com anúncios tradicionais, pois transforma o público em detetive e o comercial em um acontecimento histórico revistado.
Faturamento recorde, mas lucro em queda
O grupo Globo, maior grupo de comunicação do país, fechou 2025 com faturamento de R$ 18 bilhões, uma alta de 11,3% impulsionada pelo crescimento de 15% na publicidade. Apesar da eficiência operacional — com o Ebitda saltando 57% — o lucro líquido caiu 25%, fechando em R$ 1,49 bilhão. O recuo reflete a estratégia da empresa de fazer os altos investimentos em produções originais e na expansão do Globoplay que elevaram os custos, mostrando que a Globo está sacrificando o lucro imediato para garantir sua relevância no ecossistema digital.
Para inglês ver
Os irmãos Bolsonaro agora estão de lados opostos, ou ao menos querem que o eleitorado acredite nisso. O caso é que o Senado aprovou o projeto de lei que inclui a misoginia — definida como ódio ou desprezo contra mulheres — no rol dos crimes de preconceito. A proposta, que agora segue para a Câmara, já divide opiniões no cenário pré-eleitoral: enquanto o senador Flávio Bolsonaro votou a favor do texto, seu irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro, prometeu resistência. O deputado criticou o que chama de "propostas alinhadas ao feminismo", afirmando que esses conceitos não devem ser normalizados. O embate familiar reflete a temperatura do debate que deve dominar a pauta legislativa nas próximas semanas.
O futuro já passou
O que já foi tratado como o futuro inevitável da internet virou um recuo estratégico bilionário. Em meados de 2020, Mark Zuckerberg apostou no metaverso como nova fronteira digital, levando à mudança de nome do Facebook para Meta e a investimentos de cerca de US$ 100 bilhões. O entusiasmo contaminou o mercado, com projeções trilionárias e cargos executivos dedicados ao tema. Mas a baixa adesão, problemas técnicos e a dependência de equipamentos caros impediram a escala. Agora, com o encerramento da versão em realidade virtual do Horizon Worlds, a empresa vira a chave. O novo foco é a inteligência artificial, com previsão de US$ 115 bilhões em aportes já neste ano. Até as gigantes recalculam rotas.
Ganhar dinheiro para lavar (sua) louça
O que antes era só rotina doméstica agora virou fonte de renda na era da inteligência artificial. Em cidades como Los Angeles, moradores estão sendo pagos para gravar tarefas simples do dia a dia, como lavar louça ou cozinhar, usando câmeras acopladas ao corpo. Os vídeos são usados por empresas como Scale AI e Meta para treinar robôs a executar ações humanas no mundo real. A remuneração pode chegar a US$ 40 por hora, refletindo a corrida por dados que ensinem máquinas a lidar com tarefas básicas. Com projeções de um mercado de robôs humanoides de até US$ 38 bilhões até 2035, até lavar a louça entrou no radar da nova economia digital.
Conexão em risco
A guerra envolvendo EUA, Israel e Irã chega à sua 4ª semana sob a sombra de um apagão digital global. O conflito ameaça cabos submarinos no Mar Vermelho e no Estreito de Ormuz, por onde passam 90% do tráfego mundial de dados. Vulneráveis a minas e âncoras em águas rasas, essas rotas conectam gigantes como Google e Microsoft a bilhões de usuários. O risco é real: a Meta já suspendeu parte do projeto 2Africa, a maior rede de fibra óptica do mundo, por falta de segurança para operar na região.
Feminicídio: 30% das vítimas já tinham denunciado agressores
O Brasil atingiu um recorde sombrio em 2025: 1.561 mulheres foram assassinadas por sua condição de gênero, uma média de quatro mortes por dia. Dados inéditos do Ministério da Justiça revelam uma falha crítica na rede de proteção, já que 30% das vítimas haviam registrado boletim de ocorrência contra seus futuros algozes antes do crime. O cenário é o mais violento da última década, superando os números de 2024. O levantamento acende o alerta sobre a eficácia das medidas protetivas, visto que 20% dessas mulheres foram mortas em até dois anos após a primeira denúncia.
A dieta dos bilhões
O setor de alimentos vive uma onda de aquisições bilionárias focadas em nutrição. O alvo são os shakes e barras proteicas, que deixaram de ser nicho de academia para virar prioridade no carrinho de compras global. A estratégia é adaptar o portfólio para um consumidor que busca saúde e praticidade. O uso de medicamentos como o Ozempic está redesenhando o varejo. Usuários de injeções de GLP-1 não estão apenas comendo menos, estão comendo melhor. Estudos apontam uma queda de 5% nos gastos dessas famílias, atingindo em cheio as indústrias de salgadinhos e panificação. Com o apetite reduzido, o consumidor prioriza nutrientes de alta qualidade, forçando marcas tradicionais a trocarem o açúcar pela proteína para não perderem relevância. Nos EUA, as vendas de produtos "high protein" saltaram 4,6% em 2025.
O terror da IA
O terror que conquistou fãs e editoras virou um pesadelo para a autora Mia Ballard. O lançamento de Shy Girl foi cancelado nos EUA e Reino Unido após suspeitas de que o livro foi escrito por inteligência artificial. O software de detecção Pangram indicou que 78% da obra foi gerada por máquinas, enquanto o New York Times apontou falhas lógicas e padrões robóticos no texto. O caso acende um alerta vermelho no mercado editorial sobre a autenticidade na era dos algoritmos.
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