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Ecopetrol conclui compra da Brava e campos maduro entram na estratégia de longo prazo no Brasil

A Ecopetrol concluiu na última quarta-feira, 5, a operação que lhe deu o controle da Brava Energia e passou a colocar o Brasil no centro de sua estratégia de expansão internacional. Para o Rio Grande do Norte, a mudança de comando tem um significado particular porque a Brava possui no Estado uma parcela importante de seus ativos terrestres, justamente o segmento em que a estatal colombiana afirma ter desenvolvido conhecimento acumulado durante décadas.

Em entrevista ao Brazil Journal, o CEO da Ecopetrol Brasil, Jorge Andrés Martínez, afirmou que a empresa pretende aplicar no Brasil sua experiência na gestão de campos maduros, com foco na revitalização de ativos, recuperação avançada e aumento do fator de recuperação. “Durante mais de sete décadas a Ecopetrol desenvolveu na Colômbia competências reconhecidas internacionalmente na gestão de ativos onshore”, afirmou Martínez.

A declaração ganha relevância para o RN porque o Polo Potiguar, operado pela Brava, é formado por campos maduros de petróleo e gás adquiridos da Petrobras pela 3R Petroleum, posteriormente incorporada à Brava na fusão com a Enauta. A estratégia anunciada pela nova controladora combina justamente esse tipo de ativo com a experiência que a Ecopetrol acumulou na Colômbia.

A prioridade imediata, segundo Martínez, será aproveitar o potencial dos ativos que a Brava já possui. A empresa pretende integrar suas capacidades técnicas às operações brasileiras para aumentar a eficiência dos campos e formar um portfólio complementar com os demais ativos da Ecopetrol no país. “A Brava adiciona produção, reservas, infraestrutura e escala operacional. Quando essas peças se unem, deixam de ser projetos independentes e passam a formar uma verdadeira plataforma estratégica”, disse o executivo.

A Brava produziu 82 mil barris de óleo equivalente por dia no segundo trimestre e possui reservas provadas de 459 milhões de barris de óleo equivalente. Os números correspondem à companhia como um todo e não devem ser atribuídos exclusivamente aos ativos do Rio Grande do Norte. 

A aquisição do controle foi concluída após a Ecopetrol comprar diretamente 26% da Brava por R$ 2,77 bilhões e realizar a oferta pública para adquirir outros 25%. No leilão da OPA, realizado na quarta-feira, a estatal colombiana comprou 116,1 milhões de ações ordinárias por R$ 23 cada, desembolsando R$ 2,67 bilhões. Com as duas operações, a participação da Ecopetrol chega a 51%. 

A operação transforma a Ecopetrol na controladora de uma das principais produtoras independentes de petróleo e gás do país. A companhia colombiana produziu cerca de 745 mil barris de óleo equivalente por dia no primeiro trimestre, principalmente na Colômbia, mas também mantém operações em outros países das Américas.

Para o RN, a mudança pode representar uma nova fase para campos que já passaram por diferentes ciclos de exploração. A experiência declarada pela Ecopetrol em recuperação de campos maduros cria uma conexão direta entre a estratégia internacional da companhia e o perfil dos ativos terrestres da Brava no Estado.

Martínez, porém, não anunciou um volume específico de investimentos para o Polo Potiguar. Disse que o ritmo dos aportes dependerá das oportunidades e do retorno oferecido por cada projeto. A empresa também pretende acompanhar novos leilões e outras oportunidades de aquisição no mercado brasileiro. “Investiremos com convicção onde houver valor, e com prudência sempre”, afirmou.

A perspectiva apresentada pelo executivo vai além da recuperação de ativos já existentes. Ao explicar a dimensão da operação, Martínez afirmou que a Ecopetrol não está pensando apenas em um ciclo de investimentos. “Temos convicção de que estamos construindo algo que vai muito além de um ciclo de investimentos”, disse.

A frase ajuda a definir a dimensão da aposta colombiana. A Ecopetrol já tinha presença no Brasil antes da compra da Brava, com participação no projeto Gato do Mato, no pré-sal da Bacia de Santos, além de outros negócios. Com a aquisição da petroleira brasileira, porém, passa a ter uma plataforma de produção relevante e uma posição muito maior no mercado nacional.

Ainda não está definido se as diferentes operações da Ecopetrol no Brasil serão futuramente reunidas em uma única estrutura. Segundo Martínez, o modelo de organização será avaliado à medida que a empresa avance na integração dos negócios.

No Rio Grande do Norte, o principal ponto de atenção será acompanhar quanto da experiência da Ecopetrol em campos maduros será convertido em novos investimentos, recuperação de produção e extensão da vida econômica dos ativos do Polo Potiguar. A estatal colombiana já deixou claro que considera o Brasil um projeto de longo prazo.

Centro de Operações

Em 2 de julho, a Brava inaugurou em Mossoró o Centro de Operações Integradas (COI), criado para centralizar em tempo real o monitoramento dos ativos de produção do Rio Grande do Norte e do Ceará. A companhia prevê investir até R$ 15 milhões na nova estrutura ao longo de 2026.

A instalação do centro faz parte de um novo modelo operacional para o Polo Potiguar e concentra em Mossoró o acompanhamento das atividades dos campos, permitindo integrar informações e decisões sobre produção e operação. O polo reúne ativos terrestres e de águas rasas nos dois Estados. No RN estão os polos Macau, Areia Branca, Potiguar e a participação da Brava em Pescada. Fazenda Belém fica no Ceará.

A combinação entre a estrutura operacional já instalada em Mossoró e o conhecimento técnico da nova controladora será um dos elementos a acompanhar na próxima fase do Polo Potiguar.

 


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