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Entrada da MDNE no segmento popular através da Ún1ca movimenta o mercado imobiliário em Natal

O mercado imobiliário de Natal ganhou um novo movimento estratégico com o lançamento da marca Ún1ca, apresentada oficialmente na capital potiguar como o braço do grupo MDNE voltado exclusivamente às faixas 2 e 3 do Minha Casa Minha Vida. A iniciativa surge em um momento em que o segmento econômico tem demonstrado maior resiliência diante do cenário de juros elevados e crédito mais restritivo fora do programa habitacional.

A decisão de criar uma empresa dedicada ao público de renda intermediária sinaliza uma mudança relevante na atuação do grupo na cidade, tradicionalmente associado a empreendimentos de médio e alto padrão. A aposta agora está na demanda estrutural existente em Natal, impulsionada pelo déficit habitacional e pela busca por imóveis bem localizados, com padrão de qualidade e enquadrados nas condições facilitadas de financiamento do programa federal.

Nesta entrevista, o diretor de Negócios da Ún1ca, Fernando Arraes, detalha a análise de mercado que embasou o lançamento da empresa na capital, os ganhos esperados com a segmentação por perfil de consumidor e como avalia o comportamento da demanda local em um ambiente macroeconômico ainda desafiador.

Vocês lançaram a marca Ún1ca com foco nas faixas 2 e 3 do Minha Casa Minha Vida. Qual foi a análise de mercado que levou à decisão de segmentar o grupo por perfil de consumidor? Há estudos que indiquem que essa estratégia aumentará eficiência ou rentabilidade para a empresa?

A decisão de lançar a Ún1ca nasce de uma leitura clara de mercado: o déficit habitacional no Nordeste está majoritariamente concentrado nas faixas de renda atendidas pelo Minha Casa Minha Vida, especialmente nas faixas 2 e 3.

Ao longo dos últimos anos, percebemos que esse público tem dinâmica, jornada de compra, produto e estrutura de custos diferentes do segmento médio e alto padrão, onde o grupo MDNE construiu sua história.

Criar uma empresa dedicada permite desenvolver produto, preço, velocidade de obra e experiência do cliente de forma mais adequada a esse perfil.

Não é apenas uma estratégia de marketing. É uma estratégia operacional, baseada em pesquisas e na leitura do mercado.

Isso aumenta eficiência, melhora previsibilidade de margem e permite escalar o negócio com disciplina, além de atender mais um segmento do mercado nordestino com a excelência do grupo MDNE.

A estratégia de ter marcas distintas por faixa de renda não implica mais custos administrativos, de marketing ou de gestão? Como a MDNE equilibra esses custos com a expectativa de retorno em cada segmento?

Ter empresas distintas não significa necessariamente mais custo. Para a gente, significa mais clareza, com foco no cliente.

Quando você separa proposta de valor, produto e operação, reduz complexidade interna e aumenta eficiência na tomada de decisão. Além disto, existe um background do grupo MDNE suportando cada uma das empresas, possibilitando também ganhos em diversos processos.

A Ún1ca nasce com modelo mais padronizado, processos mais industriais e estrutura de custos otimizada. Isso compensa eventuais investimentos adicionais em marca.

Na prática, a segmentação evita “misturar lógicas de produto” dentro da mesma operação, algo que costuma gerar mais ineficiência do que economia, além de aumentar a atenção na experiência de cada perfil de cliente.

Com a Selic ainda em patamar elevado e o crédito imobiliário mais caro fora do programa habitacional, como a Ún1ca avalia o impacto dos juros na velocidade de vendas? O MCMV tem funcionado como um “amortecedor” dessa pressão no mercado de Natal?

O ambiente de juros elevados impacta o mercado imobiliário como um todo, principalmente fora dos programas habitacionais. Por isso, o Minha Casa Minha Vida funciona, sim, como um amortecedor importante. Ele reduz sensibilidade ao ciclo de juros e traz previsibilidade para a demanda.

Em Natal, através das pesquisas e estudos que realizamos, temos observado boa velocidade de vendas nos projetos enquadrados no programa, justamente porque o financiamento continua acessível para esse público. Isso reforça nossa convicção de que o segmento econômico seguirá resiliente mesmo em cenários macro mais desafiadores.

Natal tem demonstrado demanda consistente nas faixas 2 e 3 do Minha Casa Minha Vida? E como vocês avaliam a capacidade de pagamento das famílias locais diante do cenário econômico atual?

Natal apresenta uma demanda estrutural relevante nas faixas 2 e 3. Existe déficit habitacional e, principalmente, uma demanda reprimida por produto bem localizado e com padrão de qualidade confiável.

Nos estudos de mercado, vimos boa aderência do público local, com capacidade de pagamento compatível com o desenho do programa e com os produtos que estamos estruturando para a cidade. A análise que fazemos combina renda, comprometimento máximo, subsídios disponíveis e comportamento real de vendas. Os sinais têm sido consistentes.


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