A governadora Fátima Bezerra, anunciou nesta terça-feira (17) que não disputará uma vaga no Senado nas eleições de 2026. Em carta divulgada ao povo potiguar, a petista confirmou o que já vinha se especulando e ela mesma deu pistas na leitura da mensagem anual na Assembleia quando citou fatos do passado para mostrar a capacidade de abrir mão de projetos pessoais em nome do projeto partidário. Na carta ainda fez críticas diretas ao vice-governador Walter Alves, a quem acusou de romper um compromisso político firmado em 2022.
A decisão ocorre em meio a uma disputa política que envolve a sucessão no governo do Estado. Para concorrer ao Senado, Fátima teria de renunciar ao cargo em abril de 2026, o que levaria Walter Alves a assumir o governo. Como o vice anunciou que não assumiria o cargo para disputar as eleições, caberia à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte realizar uma eleição indireta para escolher um governador tampão até o fim do mandato.
Nos bastidores, a avaliação é de que não havia garantia de que o grupo político da governadora conseguiria maioria na Assembleia para eleger um aliado na disputa indireta, correndo o risco de ver um adversário na cadeira de governador durante a campanha eleitoral o que poderia ser fatal também para os candidatos do partido à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa.
Na carta, Fátima afirma que, para viabilizar sua candidatura ao Senado, era necessário que o vice assumisse o governo, mas diz que Walter Alves recuou do acordo. “Para viabilizar a candidatura ao Senado, era necessário que o vice assumisse o governo, mas ele rompeu o compromisso firmado em 2022”, escreveu.
A governadora também atribuiu a mudança de posição a pressões políticas. Segundo ela, o vice teria atendido a “interesses de uma velha elite que nunca aceitou um RN governado pelo povo”.
Apesar de citar que sua candidatura ao Senado era defendida por aliados, pelo Luiz Inácio Lula da Silva e pelo Partido dos Trabalhadores, a governadora justificou sua permanência no cargo pela necessidade de concluir obras consideradas estratégicas, como a construção do hospital metropolitano, a duplicação da BR-304 e ações relacionadas à transposição do Rio São Francisco.
Fátima também fez um balanço da gestão iniciada em 2019, citando a recuperação fiscal do Estado (sic), a regularização do pagamento de servidores e investimentos em áreas como segurança, educação e saúde.
No texto, a governadora não indicou quem será o candidato do PT ao Senado em 2026. Ela apenas reafirmou a intenção de lançar o atual secretário da Fazenda, Carlos Eduardo Xavier, conhecido como Cadu, como candidato ao Governo do Estado. “Eles tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes. O RN vai florescer com Cadu governador”, escreveu.
A carta termina com a defesa da manutenção de uma vaga do campo político ligado ao PT no Senado e com apoio à reeleição do presidente Lula em 2026.