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Fumaça sufoca Manaus; desmatamento caiu pela metade desde 2022

A fumaça das queimadas voltou a comprometer a qualidade do ar em Manaus e em municípios do interior do Amazonas. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam aumento de 132,5% nos focos de calor registrados no estado entre 1º e 7 de outubro, na comparação com o mesmo período de 2025.

Segundo o levantamento do Programa Queimadas do Inpe, foram 644 focos na primeira semana de outubro deste ano, ante 277 no mesmo intervalo do ano passado. No acumulado de janeiro a 7 de outubro, o estado contabilizou 6.901 registros, contra 3.559 em 2025, alta de 93,9%. Os números foram reunidos pelo Ministério Público de Contas do Amazonas a partir da série do satélite de referência AQUA_M-T.

A concentração de fumaça levou à suspensão de aulas e de atividades presenciais em instituições de ensino de Manaus. A situação também mobilizou órgãos de fiscalização e controle, diante dos efeitos da poluição atmosférica sobre a saúde da população.

O aumento das queimadas ocorre em um cenário de redução do desmatamento na Amazônia Legal nos últimos anos, segundo o sistema Prodes, também mantido pelo Inpe. Os indicadores medem fenômenos diferentes e precisam ser analisados separadamente.

Em 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro, a taxa de desmatamento da Amazônia Legal chegou a 11.594 km². Em 2023, primeiro ano do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, caiu para 9.064 km². O índice recuou novamente em 2024, para 6.518 km², e em 2025, quando a taxa consolidada ficou em 5.731 km².

O resultado de 2025 representa uma redução de aproximadamente 50,6% em relação a 2022. Os dados do Prodes consideram o período de agosto de um ano a julho do seguinte, e não o ano civil. Por isso, a comparação mostra a evolução do indicador ao longo dos governos, mas não atribui automaticamente cada resultado a uma única administração.

O desmatamento é calculado a partir da remoção da cobertura florestal, enquanto o Programa Queimadas identifica focos de calor por satélite. Os registros de fogo não equivalem necessariamente ao número de incêndios, pois uma mesma ocorrência pode gerar mais de uma detecção.

A fumaça que chega a Manaus também depende da localização dos incêndios, dos ventos, da umidade e das condições meteorológicas. A estiagem e a vegetação seca podem favorecer a propagação do fogo, inclusive em áreas que não foram recentemente desmatadas.

A evolução dos focos de calor no Amazonas coloca em pauta a capacidade de prevenção e combate aos incêndios, além das medidas de proteção à saúde pública. O Ministério Público de Contas do estado acionou o Tribunal de Contas para examinar a atuação governamental no enfrentamento das queimadas.

Os dados atualizados do desmatamento e dos focos de calor podem ser consultados na plataforma oficial TerraBrasilis, do Inpe.

Fontes oficiais 


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