A tecnologia de interface cérebro-máquina, pesquisada há décadas pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolellis está entre as prioridades estratégicas do 15º Plano Quinquenal (2026-20230), apresentado durante a abertura da Assembleia Popular Nacional, em Pequim.
As interfaces cérebro-máquina foram listadas no Plano Quinquenal entre as áreas de “layout prospectivo”, ao lado de setores estratégicos como computação quântica, biomanufatura, energia de hidrogênio, fusão nuclear, inteligência artificial incorporada e comunicações 6G.
O plano, que apresenta as prioridades estratégicas do governo chinês, prevê o impulsionamento das chamadas “indústrias do futuro”, visando o crescimento econômico e industrial do país, e demonstrando a notória intenção chinesa de se tornar líder no desenvolvimento científico na próxima década.
No documento, Pequim afirma a estratégia de “cultivar e fortalecer indústrias emergentes e futuras, reforçando o fornecimento de tecnologia de origem e acelerando cenários de aplicação e ecossistemas industriais”, incluindo objetivo de liderar a geração de tecnologias biomédicas.
A inclusão da tecnologia desenvolvida pelo neurocientista brasileiro reforça a relevância internacional de suas pesquisas. No ano passado, Nicolelis recebeu o Prêmio da Amizade, a maior distinção concedida pelo governo chinês a cientistas estrangeiros.
Há décadas Nicolellis vem demonstrando que sinais do cérebro podem controlar máquinas e dispositivos robóticos, abrindo caminho para aplicações médicas e tecnológicas, como exoesqueletos para pessoas com paralisia e sistemas de interação direta entre cérebro e computador.
Recentemente, ele desenvolveu uma pesquisa pioneira no Hospital Xuanwu, da Capital Medical University em Pequim. O estudo combina interfaces cérebro-máquina não invasivas, realidade virtual e locomoção robótica e foi realizado com pacientes paraplégicos crônicos no escopo do Projeto Andar de Novo (Walk Again Project).
Os pacientes recuperaram parte dos movimentos das pernas e voltaram a andar autonomamente. Eles também apresentaram sinais de reversão da atrofia cerebral, causada pela lesão medular. A tecnologia também abre um universo de possibilidades de avanços e cura para várias doenças neurodegenerativas.
Nicolelis explica que “a abordagem funciona como um despertador neural, reativando circuitos que ficaram adormecidos por muitos anos e dando ao cérebro um novo contexto para reaprender funções motoras que haviam sido interrompidas pela lesão”.
Do Opera Mundi