A Guararapes encerrou 2025 com resultados recordes, impulsionados por ganho de eficiência operacional, expansão do crédito e melhora consistente de margens. O lucro líquido em bases comparáveis somou R$ 512,1 milhões, mais que o dobro do registrado em 2024, enquanto o EBITDA ajustado consolidado atingiu R$ 1,76 bilhão, alta de 18,1%.Os dados fazem parte do relatório da companhia publicado nos jornais diários.
A receita líquida consolidada avançou 9%, para R$ 10,5 bilhões, refletindo crescimento equilibrado entre o varejo e os serviços financeiros. No quarto trimestre, a companhia manteve ritmo positivo, com alta de 5,9% na receita e expansão de margem EBITDA para 20,6%, o maior nível dos últimos anos.
No varejo, o desempenho foi sustentado pelo avanço das vendas e pela melhora da rentabilidade. A receita de mercadorias cresceu 8,9% no ano, enquanto a margem bruta subiu 2,3 pontos percentuais, beneficiada por maior assertividade comercial e menor necessidade de remarcações. A empresa também retomou a expansão física, com 21 inaugurações em 2025, encerrando o período com 445 lojas.
O braço financeiro, por sua vez, consolidou-se como vetor relevante de resultados. A receita líquida da operação cresceu 9,5%, para R$ 2,5 bilhões, e o EBITDA avançou 19,3%, sustentado por expansão da carteira e controle de risco. A inadimplência permaneceu estável, indicando equilíbrio entre crescimento e qualidade do crédito.
Do ponto de vista estratégico, a venda do Midway Mall por R$ 1,6 bilhão reforçou a posição de caixa e marcou um movimento de simplificação do portfólio, com foco no core business. A companhia encerrou o ano com baixa alavancagem e melhora no perfil da dívida, ampliando a flexibilidade financeira.
Na Bolsa, porém, o desempenho ainda não reflete integralmente a melhora operacional. As ações encerraram 2025 cotadas a R$ 8,87, acima dos R$ 6,19 registrados um ano antes, indicando recuperação ao longo do exercício, mas ainda em patamar considerado descontado frente aos fundamentos. O papel segue sensível ao ambiente de juros e à percepção de risco no varejo, e o mercado ainda aguarda sinais mais consistentes de sustentabilidade dos ganhos.
A leitura predominante é que a companhia entra em um novo ciclo, mais orientado à geração de caixa e eficiência, mas a reprecificação na Bolsa dependerá da continuidade da expansão de margens e da disciplina na concessão de crédito em um cenário ainda desafiador para o consumo.