O MDB chega a terceira idade neste 24 de março com uma trajetória que o levou a trilhar um caminho nesses 60 anos que vai desde o começo como abrigo da oposição consentida pela ditadura militar até a situação atual em que é um partido ainda com fortes raízes em todo o Brasil, mas muito longe do protagonismo que já teve na oposição ou no governo nos aureos tempos de Tancredo Neves e Ulisses Guimarães.
No Rio Grande do Norte o MDB foi resistência, passou pela hegemonia familiar e, hoje, vive um evidente encolhimento político.
Durante a ditadura, o MDB potiguar era quase muito pequeno, quase simbólico. Tão pequeno que virou anedota política com a famosa frase em que se definia que todo o partido “cabia dentro de um Fusca”. A frase, repetida por décadas, traduzia a falta de estrutura e o ambiente hostil numa terra onde as benesses do governo eram, e ainda são, fonte de sobrevida de milhares de pessoas. Numa época em que governo podia muito mais do que pode hoje. Governo podia contratar e demitir, contratar e destratar, pagar ou não a quem bem lhe aprouvesse. Isso não mudou tanto assim, mas hoje ainda há regras a serem seguidas ainda que apenas formalmente.
Mas o MDB também teve a importância de existir como espaço mínimo de oposição que mesmo que dentro de um fusca.
Com a redemocratização, esse núcleo frágil deu lugar a uma máquina política robusta, profundamente associada à liderança de Aluízio Alves que ascendeu junto com Tancredo Neves e José Sarney e, trouxe consigo a consolidação de uma geração que colocou o estado no centro do poder nacional.
Garibaldi Alves Filho tornou-se um dos nomes mais influentes do Congresso, presidindo o Senado e ocupando ministérios. Henrique Eduardo Alves, por sua vez, liderou o PMDB na Câmara e chegou à presidência da Casa, coroando uma trajetória de décadas que o levaram também ao ministério do Turismo.
Era o auge. O MDB no Rio Grande do Norte não apenas participava do jogo como também ajudava a definir as regras.
Mas o ponto de inflexão veio de dentro.
A eleição de 2010 expôs uma divisão inédita na família Alves. Garibaldi apoiou Rosalba Ciarlini ao Governo do Estado, já que o pai Garibaldi Alves era o suplente dela e assumiria, como de fato assumiu, o Senado pelo restante do mandato com a vitória de Rosalba. Henrique ficou com a candidatura de Iberê Ferreira de Souza. O racha desmontou a unidade que sustentava o grupo e abriu caminho para uma perda gradual de protagonismo.
De lá para cá, o MDB foi minguando e perdeu grande parte de sua força com a onda que levou boa parte da geração de políticos dos anos 60 e 70 a partir da polarização nascida em 2018, logo após a Lava Jato criminalizar a política e abrir caminho para os que vestiram a camisa da antipolítica.
Hoje, a legenda está sob a liderança de Walter Alves, vice-governador do estado e filho de Garibaldi Filho. Apesar de representar uma tentativa de continuidade, ele comanda um partido bem menor do que aquele herdado.
Henrique Alves voltou a se filiar ao MDB, mas está rompido com o primo e afastado da linha de frente da política. A ausência de unidade, que já foi a principal força do grupo, segue sendo também um de seus maiores problemas.
O resultado é visível: o MDB potiguar não tem representação na Assembleia Legislativa com a saída de Adjuto Dias para o PL, enfrenta dificuldades para montar uma chapa competitiva à Câmara Federal e vai tentar levar o próprio Walter Alves de volta a Assembleia, sob pena de o partido acabar literalmente na política estadual.
O partido que já foi sinônimo de poder viver hoje um novo “momento Fusca”. A diferença é que, antes, era pequeno por imposição de um regime militar. Agora, encolheu por fragmentação interna, falta de renovação e por um ambiente político polarizado que passou a sufocar o centro.
Se, no passado, o MDB foi a esperança possível e depois o poder consolidado hoje cehga aos 60 anos tentando sobreviver para ver se no futuro tem como voltar a ser relevante.