A Operação Carbono Oculto tem chamado atenção pelos bilhões de reais investigados e pelas suspeitas de lavagem de dinheiro. Mas tem chamado a atenção é a mistura de nomes que envolvem facções criminosas, operadores do mercado financeiro, empresas do setor de combustíveis seus laços com o mundo político.
Entre eles estão Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, os irmãos Tupinambá, além de figuras conhecidas dos bastidores do setor de combustíveis e de investigações sobre crime organizado, como Primo e Beto Louco.
A terceira fase da operação foi deflagrada nesta semana por uma força-tarefa formada pela Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público de São Paulo, Polícia Civil, Secretaria da Fazenda paulista e outros órgãos estaduais, além do apoio de forças policiais em diversos estados. No centro do caso está a suspeita de que uma complexa rede de empresas, fintechs, fundos de investimento e operações financeiras tenha sido usada para ocultar patrimônio e movimentar recursos de origem ilícita.
Mineiro tornou-se uma das figuras mais conhecidas dessa história. Em delação premiada, ele relatou ter movimentado recursos para o exterior a pedido do banqueiro Daniel Vorcaro. Parte dessas operações teria sido destinada a um fundo adminsitrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e seria destinado ao financiamento do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Agora, a Entre Investimentos, empresa ligada a Mineiro, aparece apontada pelas autoridades como uma estrutura relevante dentro do esquema investigado pela Carbono Oculto.
Também figuram entre os alvos os irmãos Tupinambá, incluindo Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial (aquele que bancava as pesquisas Genial/Quaest), reforçando a presença de nomes do mercado financeiro nas apurações.
A investigação busca esclarecer como recursos teriam circulado por diferentes empresas e fundos antes de chegarem aos seus beneficiários finais, numa movimentação que, segundo as autoridades, alcançou R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025.
De acordo com o Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal, o esquema funcionaria por meio de uma rede de fintechs, fundos de investimento, securitizadoras e empresas com participação cruzada. O dinheiro passaria por diversas contas e operações financeiras sucessivas, dificultando a identificação de sua origem e dos verdadeiros controladores dos ativos adquiridos. Entre os negócios investigados estão a aquisição de uma distribuidora de combustíveis e operações envolvendo uma usina sucroalcooleira no interior paulista.
A suspeita dos investigadores é que essa estrutura tenha sido utilizada para lavar recursos ligados ao PCC, dando aparência de legalidade a valores oriundos do crime organizado. Segundo as autoridades, empresas formalmente independentes atuariam de forma coordenada para fragmentar, circular e ocultar recursos antes que eles fossem destinados a investimentos, compra de ativos ou participação societária em empresas. É justamente por isso que a Carbono Oculto é considerada uma das maiores investigações já realizadas sobre a infiltração do crime organizado no mercado formal de combustíveis e no sistema financeiro brasileiro.
É nesse cenário que apelidos conhecidos em investigações sobre combustíveis e crime organizado voltam a aparecer. Mineiro, Primo, Tupinambá e Beto Louco representam os diversos elos de uma investigação que tenta mostrar como dinheiro, poder e influência podem se cruzar em uma das maiores operações já realizadas contra esquemas financeiros ligados ao crime organizado no país.