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Morre o cantor Netinho

Presença constante no Carnatal desde os anos 1990, puxando blocos e arrastando multidões ao som de sucessos que marcaram gerações, morreu hoje, aos 60 anos, o cantor Netinho que ao longo dos anos consolidou uma forte relação com o público potiguar e ajudou a transformar a micareta de Natal em uma das maiores do país. O cantor baiano morreu em consequência de um linfoma diagnosticado em 2025 e que voltou de forma mais agressiva neste ano.

Nos últimos meses, Netinho havia se afastado das redes sociais e interrompido entrevistas para se dedicar integralmente ao tratamento. A ausência de notícias alimentou a apreensão dos fãs, que acompanhavam informações esporádicas divulgadas por pessoas próximas ao artista.

Natural de Santo Antônio de Jesus, na Bahia, Netinho foi um dos principais nomes da Axé Music. Ganhou projeção nacional no final dos anos 1980 como vocalista da Banda Beijo, onde emplacou sucessos que se tornaram trilha sonora do Carnaval brasileiro. Em 1993, iniciou carreira solo e alcançou o auge da popularidade com canções como “Milla”, “Preciso de Você”, “Capricho dos Deuses”, “Menina”, “Estrela Primeira” e “Fim de Semana”.

Ao longo de quase quatro décadas de carreira, tornou-se um dos maiores puxadores de trio elétrico do país e ajudou a projetar a música baiana para além das fronteiras brasileiras. Foi pioneiro ao levar um trio elétrico montado para apresentações no exterior durante a Copa do Mundo de 1990, na Itália, e estabeleceu recordes de público em Portugal, com cinco apresentações lotadas no Coliseu de Lisboa, em 1998.

Sua marca também ficou registrada na discografia do gênero. Netinho foi um dos primeiros artistas do axé a investir em gravações ao vivo e viu “Milla” ultrapassar fronteiras, sendo regravada em diversos idiomas.

A última apresentação ocorreu em outubro de 2025, em Minas Gerais. Antes do agravamento da doença, o cantor preparava o projeto “1966”, uma proposta que combinaria música, tecnologia e inteligência artificial. A morte de Netinho encerra a trajetória de um dos artistas mais populares da história do axé e uma figura que ajudou a moldar o Carnaval fora de época em todo o Nordeste, especialmente no Carnatal, onde construiu alguns dos capítulos mais marcantes de sua carreira.


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