Enquanto boa parte do Nordeste aparece entre os exemplos nacionais de eficiência na gestão pública, o Rio Grande do Norte segue na contramão. O estado ocupa apenas a 21ª posição no Ranking de Eficiência dos Estados (REE-F), elaborado pela Folha de S.Paulo em parceria com o Datafolha, ficando à frente apenas da Bahia entre os nove estados nordestinos.
Com índice de 0,303 numa escala que varia de zero a um, o RN integra o grupo classificado como de "pouca eficiência", distante dos líderes nacionais e também dos principais destaques da própria região.
O resultado chama atenção porque o Nordeste foi apontado pelo estudo como a segunda região mais eficiente do país, atrás apenas do Sul. O desempenho potiguar, portanto, não reflete uma realidade regional adversa, mas uma dificuldade específica do estado em converter recursos públicos em resultados concretos para a população.
O contraste é evidente. O Ceará aparece na vice-liderança nacional, com índice de 0,665, atrás apenas do Paraná. O Piauí ocupa a quinta colocação (0,596) e a Paraíba surge em sexto lugar (0,561). Pernambuco também aparece em posição confortável, na 11ª colocação nacional.
Na prática, quatro estados nordestinos figuram entre os onze mais eficientes do Brasil, enquanto o Rio Grande do Norte permanece próximo da parte inferior da tabela.
Entre os estados da região, o RN supera apenas a Bahia, que registrou índice de 0,301. Maranhão, Sergipe e Alagoas também aparecem à frente dos potiguares.
Ranking dos estados nordestinos
| Posição no Nordeste | Estado | Posição Nacional | Índice |
|---|---|---|---|
| 1º | Ceará | 2º | 0,665 |
| 2º | Piauí | 5º | 0,596 |
| 3º | Paraíba | 6º | 0,561 |
| 4º | Pernambuco | 11º | 0,504 |
| 5º | Maranhão | 14º | 0,458 |
| 6º | Sergipe | 15º | 0,399 |
| 7º | Alagoas | 18º | 0,368 |
| 8º | Rio Grande do Norte | 21º | 0,303 |
| 9º | Bahia | 22º | 0,301 |
O levantamento questiona uma das premissas mais comuns do debate político brasileiro: a de que mais recursos significam necessariamente melhores serviços públicos. Segundo os autores do estudo, o que pesa no resultado final é a capacidade dos governos de transformar arrecadação e orçamento em entregas efetivas nas áreas mais importantes para a população.
Nesse aspecto, estados nordestinos que historicamente dispõem de menos recursos conseguiram apresentar desempenho superior ao do Rio Grande do Norte.
Em outras palavras, o estudo não mede quanto cada estado gasta, mas o quanto consegue entregar com os recursos que possui.
E, nesse indicador, o Rio Grande do Norte ficou mais próximo dos últimos colocados do país do que dos estados nordestinos que hoje são apontados como referência em eficiência administrativa.
Como é calculado o ranking?
O Ranking de Eficiência dos Estados (REE-F) avalia a capacidade dos governos estaduais de transformar recursos públicos em resultados para a população.
A metodologia cruza a Receita Corrente Líquida (RCL) per capita de cada estado com indicadores de desempenho em saúde, educação, segurança pública e infraestrutura.
O estudo parte do princípio de que eficiência não é arrecadar mais, mas obter melhores resultados com os recursos disponíveis. Assim, estados que conseguem entregar serviços de qualidade mesmo com menor disponibilidade financeira tendem a obter notas mais altas.
A pontuação varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior a eficiência da gestão pública. Os estados são divididos em quatro faixas: eficientes, alguma eficiência, pouca eficiência e ineficientes.
No levantamento deste ano, o Paraná liderou o ranking com índice de 0,734, enquanto o Rio Grande do Norte registrou 0,303, sendo classificado na faixa de pouca eficiência.