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Novos negócios se espalham pelo RN

 

Uma sequência de publicações oficiais de licenças ambientais nas últimas semanas revela um movimento consistente de abertura e ampliação de empreendimentos no Rio Grande do Norte, envolvendo desde grandes projetos de energia e mineração até atividades do comércio, agroindústria, serviços e petróleo e gás.

Levantamento realizado pelo Blog a partir de atos administrativos publicados em um intervalo de cerca de duas semanas mostra a entrada de novos negócios em mais de 30 municípios, com impacto direto sobre setores estratégicos como fruticultura irrigada, energia solar, mineração, extração de petróleo, indústria de embalagens, agronegócio, logística, comércio varejista e gestão de resíduos.

O mapa dos investimentos mostra a interiorização do desenvolvimento econômico, com projetos distribuídos entre o Oeste, Seridó, Mato Grande, Agreste, Região Metropolitana de Natal e Litoral Norte.

Entre os destaques estão empreendimentos de grande porte, como o Complexo Solar Fotovoltaico Alto dos Ventos, com capacidade prevista de 500 MW, no município de Macau, além da implantação de unidades fotovoltaicas em Lajes e São Bento do Norte, reforçando o papel do RN como um dos principais polos de energia renovável do país.

Na indústria, aparecem projetos como a unidade da Huhtamaki Embalagens Flexíveis, em Parnamirim, voltada à produção de laminados para tubos de dentifrícios, além da fabricação de máquinas, equipamentos, peças e ferramentas em João Câmara. O levantamento também inclui a implantação de uma indústria de sorvetes em Parelhas e a abertura de mais uma panificadora no mesmo município, ampliando a presença de empreendimentos industriais leves e de alimentos no Seridó.

O setor mineral também registra movimentação relevante, com licenças para extração de caulim em Equador, mármore em Messias Targino, sal marinho em Porto do Mangue e a atuação da VIP Mineração em São Fernando. Chamam atenção ainda autorizações para pesquisa mineral em Carnaúba dos Dantas, envolvendo sondagens para lítio, nióbio, tântalo, feldspato, muscovita e quartzo, minerais associados a cadeias produtivas estratégicas e à transição energética.

No agronegócio, os registros incluem fruticultura irrigada em Baraúna, agricultura irrigada em Mossoró, Afonso Bezerra e Apodi, além de atividades de sequeiro. O levantamento foi ampliado com a inclusão de licença para agricultura não irrigada em Apodi, reforçando o peso do município no conjunto de projetos agropecuários. Também aparecem atividades de carcinicultura em Alto do Rodrigues, confinamento de gado em Ielmo Marinho e a implantação de abatedouro e frigorífico em Nova Cruz.

O setor de petróleo e gás mantém protagonismo, com novos licenciamentos para poços e atividades de apoio em Mossoró, Governador Dix-Sept Rosado e Upanema, envolvendo empresas como Mandacaru Energia, Braserv Petróleo e Phoenix Óleo e Gás, além de autorizações para acesso a poços e estações coletoras.

Também chama atenção a expansão de empreendimentos de menor porte, mas com forte impacto local, como padarias em Macaíba, Cerro Corá e Parelhas, supermercados em Assu, comércio varejista em Nísia Floresta e comércio de madeira em Lagoa d’Anta, além da abertura de diversos postos de combustíveis em Natal e em municípios como São Gonçalo do Amarante, Mossoró, Touros, Baía Formosa, Santa Maria e Doutor Severiano.

Há ainda registros de licenças para sistemas de tratamento de efluentes sanitários em Itajá e para aterro de resíduos da construção civil em Caicó, apontando também para investimentos na área ambiental e de infraestrutura urbana.

Esse movimento de novos licenciamentos ocorre em um contexto mais amplo de crescimento do número de empresas no estado, puxado principalmente por microempreendedores individuais. Dados recentes da Junta Comercial, divulgados pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, indicam forte expansão de registros de MEIs, fenômeno associado tanto à formalização de pequenos negócios quanto à ampliação de trabalhadores por conta própria, como motoristas de aplicativo, motoentregadores e prestadores de serviços pessoais.

Analistas do mercado de trabalho também apontam que parte desse crescimento está relacionada à pejotização, processo em que trabalhadores passam a atuar como pessoa jurídica, reduzindo vínculos formais tradicionais. Isso ajuda a explicar por que o aumento no número de CNPJs nem sempre se traduz, na mesma proporção, em novos investimentos produtivos, empregos formais ou elevação consistente da produtividade.

Nesse cenário, os licenciamentos ambientais ajudam a diferenciar projetos de maior densidade econômica,, como energia, mineração, indústria e petróleo, de empreendimentos de menor porte, voltados ao consumo local. Os primeiros tendem a gerar impactos mais estruturantes, com maior capacidade de investimento, encadeamento produtivo e arrecadação, enquanto os segundos cumprem papel relevante na economia municipal, mas com alcance mais limitado sobre a diversificação da base produtiva.

 


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