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O que os candidatos defenderam e a proposta da Fiern

Se existe um consenso entre os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte, ele está no diagnóstico de que o estado precisa crescer mais. O caminho para alcançar esse objetivo, porém, divide os postulantes ao cargo. Enquanto Allyson Bezerra aposta na desburocratização, Álvaro Dias defende um pacto para reorganizar as finanças estaduais, Cadu Xavier sustenta o fortalecimento de políticas como o PROEDI e Robério Paulino coloca a industrialização no centro de sua estratégia de desenvolvimento. As diferentes visões foram apresentadas durante o Fórum Caminhos do RN, realizado esta semana numa promoção conjunta do Midacom e FIERN.

No evento foi entregue a cada um deles, a Agenda Caminhos do RN 2027-2030 que apresenta de forma objetiva o que a classe empresarial espera do futuro governador e transformou a sabatina em algo maior do que um debate eleitoral. O documento funciona como uma espécie de carta de prioridades do setor produtivo para a próxima gestão estadual, reunindo um diagnóstico detalhado dos gargalos do Rio Grande do Norte e um conjunto de propostas voltadas para recuperação fiscal, infraestrutura, ambiente de negócios, educação e atração de investimentos.

A premissa central da agenda já é conhecida: o estado possui vantagens competitivas relevantes, especialmente em energia renovável, localização estratégica e recursos naturais, mas enfrenta uma crise fiscal que compromete sua capacidade de investir e induzir o desenvolvimento econômico. Entre os números destacados pela FIERN estão o déficit previdenciário anual superior a R$ 2 bilhões, investimento público equivalente a apenas 3% das despesas e gasto com pessoal acima dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.

O negócio agora é saber o que fazer diante desse diagnóstico. O blog analisou as respostas dos candidatos e sua adesão às propostas apresentadas pela classe produtiva. Veja abaixo:

Allyson Bezerra: destravar investimentos e reduzir burocracia

Entre os participantes da sabatina, Allyson Bezerra concentrou seu discurso na necessidade de tornar o estado mais atrativo aos investimentos privados. O candidato defendeu a redução da burocracia, mudanças nos procedimentos do Idema e a diminuição do tempo necessário para licenciamento de empreendimentos.

Durante o debate, afirmou que pretende "destravar" o Rio Grande do Norte para impulsionar a geração de emprego, renda e arrecadação. Também fez críticas à forma como processos de licenciamento e determinadas obras públicas vêm sendo conduzidos.

A posição de Allyson converge fortemente com um dos principais eixos da Agenda Caminhos do RN: a requalificação do ambiente de negócios. O documento da FIERN defende exatamente a simplificação regulatória, a modernização do licenciamento ambiental e a redução da burocracia como condições para ampliar investimentos privados.

Álvaro Dias: pacto fiscal e reestruturação do Estado

Álvaro Dias direcionou sua fala para a situação financeira do estado. O candidato defendeu a realização de um diagnóstico aprofundado das finanças públicas e a construção de um pacto envolvendo sociedade, setor produtivo e demais poderes para recuperar a capacidade econômica do RN.

Segundo Álvaro, a reestruturação do Estado é condição necessária para atrair investimentos e ampliar a geração de emprego e renda. Ele também destacou setores considerados estratégicos para a economia potiguar, como turismo, mineração, petróleo, fruticultura e energias renováveis.

Entre os candidatos, foi o discurso que mais dialogou com a tese central do documento da FIERN. A agenda entregue aos postulantes ao governo sustenta que a recuperação fiscal deve ser a prioridade número um da próxima gestão, funcionando como pré-condição para investimentos em infraestrutura, educação e crescimento econômico.

Cadu Xavier: continuidade e fortalecimento do PROEDI

Representando o campo político que hoje ocupa o Governo do Estado, Cadu Xavier apresentou uma linha de defesa das políticas implementadas pela atual gestão.

No debate, um dos pontos mais associados à sua participação foi a valorização dos resultados obtidos através do PROEDI, principal programa de incentivo industrial do Rio Grande do Norte. A defesa do programa se conecta diretamente à estratégia de atração e manutenção de investimentos industriais no estado, além da geração de empregos.

A posição de Cadu guarda convergência com a agenda da FIERN no que diz respeito ao fortalecimento da indústria e ao estímulo à atividade produtiva. No entanto, sua abordagem difere dos demais candidatos ao enfatizar a continuidade de políticas já existentes, enquanto o documento da FIERN dedica maior atenção às reformas fiscais, previdenciárias e administrativas consideradas essenciais para recuperar a capacidade de investimento do estado.

Robério Paulino: industrialização como eixo do desenvolvimento

Robério Paulino levou à sabatina uma proposta centrada na industrialização do Rio Grande do Norte. O candidato defendeu a elaboração de um plano de industrialização para ampliar a geração de empregos e fortalecer a economia estadual.

Também argumentou que o setor produtivo deve ter participação mais ativa na formulação das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico. A defesa da industrialização possui pontos de contato com a Agenda Caminhos do RN, especialmente nos capítulos que tratam da agregação de valor às cadeias produtivas, da diversificação econômica e do aproveitamento das vantagens competitivas do estado em setores como energia, mineração e tecnologia. Mas o candidato passa longe das propostas de reforma visando diminuir o tamanho do Estado.

O que os empresários querem ouvir

Embora os candidatos tenham apresentado estratégias distintas, a agenda construída pelo setor produtivo estabelece algumas prioridades comuns para o próximo governo:

  • Recuperação da capacidade fiscal do Estado;
  • Reforma previdenciária e administrativa;
  • Redução da burocracia;
  • Modernização do licenciamento ambiental;
  • Ampliação da infraestrutura logística;
  • Aproveitamento do potencial das energias renováveis;
  • Expansão da conectividade digital;
  • Melhoria dos indicadores educacionais;
  • Atração de investimentos privados.  

O Fórum Caminhos do RN serviu não apenas para apresentar propostas eleitorais, mas também para medir o grau de alinhamento dos candidatos com a agenda defendida pela indústria potiguar para os próximos anos.

 

 


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