Pesquisas desenvolvidas no Rio Grande do Norte colocam o estado na rota de uma das áreas mais promissoras da ciência contemporânea. Reportagem publicada no portal Nossa Ciência, assinada pelo jornalista Passos Júnior, mostra como o cultivo de células vivas em laboratório vem ampliando o conhecimento sobre doenças e acelerando o desenvolvimento de novos tratamentos.
A técnica permite manter células humanas em ambiente controlado, reproduzindo condições semelhantes às do organismo. Com isso, cientistas conseguem observar o comportamento celular, testar medicamentos e investigar enfermidades como Alzheimer, câncer e Esclerose Lateral Amiotrófica.
No Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (ICe/UFRN), pesquisadores utilizam células-tronco pluripotentes induzidas para produzir neurônios humanos em laboratório. O objetivo é compreender a evolução de doenças neurodegenerativas e identificar novos caminhos terapêuticos.
O chefe do Laboratório de Neurociência Translacional do instituto, Marcos Romualdo Costa, explica que o cultivo celular consiste em oferecer às células um ambiente artificial capaz de reproduzir as condições encontradas no corpo humano. Nutrientes, glicose, sais minerais e fatores de crescimento garantem o funcionamento normal dessas estruturas fora do organismo.
Na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em Mossoró, outra frente de pesquisa explora o uso do plasma atmosférico frio. O grupo coordenado pelo professor Carlos Eduardo Bezerra de Moura investiga os efeitos da tecnologia sobre processos de cicatrização, regeneração de tecidos, inflamação e combate a células tumorais.
Segundo os pesquisadores, a maior parte dos medicamentos, biomateriais e terapias inovadoras passa primeiro por experimentos em cultura celular antes de avançar para testes em animais e, posteriormente, em seres humanos. Além de acelerar descobertas, a técnica contribui para reduzir o uso de animais na pesquisa científica.
Os avanços mais recentes permitiram ainda a criação dos chamados organoides, estruturas tridimensionais que reproduzem características de órgãos como cérebro, fígado, pulmão e rins. Embora ainda estejam restritos aos laboratórios, esses modelos aproximam os experimentos das condições reais do corpo humano.
Também na Ufersa, o professor Marcelo Barbosa Bezerra destaca que a combinação entre bioengenharia, cultivo celular e inteligência artificial amplia as possibilidades da medicina regenerativa. Para os pesquisadores potiguares, a ciência produzida no Rio Grande do Norte acompanha tendências internacionais e contribui para o desenvolvimento de soluções com impacto na saúde humana e veterinária.