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RN avança em competividade, mas contas publicas travam salto maior

O Rio Grande do Norte consolidou em 2026 uma trajetória de recuperação no Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). Depois de sair da 24ª posição em 2024 para o 16º lugar em 2025, o estado avançou mais uma colocação neste ano e alcançou o 15º posto nacional.

O estado reúne indicadores competitivos em áreas como infraestrutura, eficiência da máquina pública, inovação e potencial de mercado. Ainda assim, o ranking revela que a recuperação encontra um limite na situação fiscal.

O principal paradoxo do resultado é que o RN conseguiu melhorar em diversos indicadores econômicos e administrativos, mas segue ocupando a última posição do país em Solidez Fiscal. O dado ajuda a explicar por que o avanço registrado nos últimos anos tem ocorrido de forma mais lenta do que em outros estados nordestinos.

O melhor exemplo dessa contradição está nas próprias contas públicas. Embora o RN apresente bom desempenho em resultado primário e planejamento orçamentário, o Estado ocupa as últimas posições em gasto com pessoal e capacidade de investimento. Na prática, isso indica que grande parte da arrecadação está comprometida com despesas obrigatórias, basicamente pessoal e previdência,restando pouco espaço para obras, expansão da infraestrutura e novos projetos.

 Os dois indicadores estão diretamente relacionados. Quanto maior o comprometimento do orçamento com a folha de pagamento, menor tende a ser a capacidade do governo de direcionar recursos para obras, equipamentos e projetos estruturantes. Na prática, isso significa menos espaço para investimentos capazes de impulsionar o crescimento econômico e melhorar serviços públicos.

O impacto dessa restrição aparece inclusive em áreas nas quais o Estado avançou. Apesar da melhora em infraestrutura, o RN ocupa apenas a 18ª posição em disponibilidade de voos diretos. Para um estado cuja economia depende fortemente do turismo e que busca atrair novos investimentos, a ampliação da conectividade aérea continua sendo um desafio estratégico.

A infraestrutura foi uma das áreas que mais contribuíram para a melhora do RN no ranking, especialmente pelos resultados em telecomunicações e acesso a serviços essenciais. Entretanto, o estado continua enfrentando gargalos importantes. 

Outro destaque positivo continua sendo a Segurança Pública. Mesmo com uma pequena perda de posições, o estado permanece entre os dez melhores do país, refletindo a redução dos índices de violência observada nos últimos anos.

A Educação, por sua vez, segue como um dos desafios. O RN caiu posições e aparece apenas no 21º lugar nacional, mostrando que os avanços em capital humano ainda não se converteram em resultados educacionais mais consistentes.

O ranking mostra um Rio Grande do Norte que já não ocupa o grupo dos estados menos competitivos do país. O problema é que os avanços em gestão, infraestrutura e ambiente econômico convivem com uma estrutura fiscal que continua restringindo a capacidade de investimento do poder público. O desafio dos próximos anos não será apenas subir algumas posições na classificação geral, mas transformar essa recuperação em crescimento sustentável, sem que a fragilidade das contas estaduais continue funcionando como freio para novos avanços.


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