A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte emitiu uma nota técnica orientando a população a evitar o consumo de peixes como barracuda, cioba, guarajuba, arabaiana e dourado após a confirmação de novos casos de intoxicação por ciguatera no estado.
O alerta foi motivado pelo aumento de registros da doença nos últimos anos. Desde 2022, quando ocorreu o primeiro surto confirmado, o estado já contabiliza 77 casos notificados de intoxicação relacionados ao consumo de pescado, incluindo episódios recentes ainda em investigação.
A ciguatera é causada por toxinas que se acumulam em peixes marinhos ao longo da cadeia alimentar. Segundo a SESAP, essas substâncias não alteram o gosto, o cheiro ou a aparência do alimento e não são eliminadas por cozimento, congelamento ou outros métodos de preparo, o que dificulta a identificação do risco.
Os sintomas podem surgir entre 30 minutos e 24 horas após o consumo. Os quadros mais comuns incluem náuseas, vômitos e diarreia, além de manifestações neurológicas como formigamento, fraqueza muscular e alterações na percepção de temperatura. Em alguns casos, os efeitos podem se prolongar por semanas ou meses.
A secretaria informa que não há tratamento específico para a intoxicação. O atendimento é baseado no controle dos sintomas e na hidratação do paciente. A recomendação é procurar um serviço de saúde ao apresentar sinais após a ingestão de peixe e informar o histórico alimentar recente.
A nota técnica também estabelece orientações para prevenção. A população deve evitar o consumo de pescado de procedência desconhecida e dar preferência a produtos com identificação de origem. Em caso de suspeita, a orientação é guardar sobras do alimento para análise pelas autoridades sanitárias.
Para pescadores, a recomendação é suspender temporariamente a captura e a comercialização das espécies associadas aos casos durante períodos de alerta. Já para comerciantes e restaurantes, a SESAP orienta reduzir a oferta desses peixes, garantir a rastreabilidade dos produtos e manter amostras armazenadas por pelo menos 72 horas.
Os profissionais de saúde devem notificar imediatamente os casos suspeitos, o que permite o monitoramento e a adoção de medidas de controle. A SESAP aponta que a circulação da toxina no litoral do estado exige vigilância contínua e atuação integrada entre os órgãos envolvidos.