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Se depender de promessa, Natal terá mais 816 leitos hospitalares

Se a campanha eleitoral continuar nesse ritmo, o problema da saúde no Rio Grande do Norte deixará de ser a falta de hospital para virar a falta de paciente. A cada semana surge um novo projeto, uma nova ala, uma ampliação, mais leitos, mais centros cirúrgicos e mais bilhões em promessas. Mantido o volume de anúncios, em alguns anos a Grande Natal poderá ter mais dificuldade para encontrar médicos e dinheiro para custear a rede do que espaço para internar doentes.
 
Mantido o ritmo dos anúncios, a Grande Natal deverá ganhar pelo menos 816 novos leitos hospitalares nos próximos anos. Hoje há em Natal, 1756 leitos SUS, ou seja, as promessas de campanha representam um aumento de quase 50% em relação aos leitos já existentes. 

A conta reúne três projetos de grande porte. O Hospital Municipal de Natal, iniciado na gestão de Álvaro Dias, mas ainda sem funcionar, foi planejado para ter 266 leitos. O Hospital Metropolitano prometido pela governdora Fátima Bezerra desde a campanha passada, está sendo construído pelo governo estadual em Parnamirim, e terá outros 350 leitos. Agora, Álvaro adicionou à campanha a proposta do chamado "Novo Walfredo", uma ampliação do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel com mais 200 leitos e nove centros cirúrgicos, a ser financiado com recursos prometidos pelo senador Styvenson Valentim.

O volume de vagas impressiona. O Hospital Municipal consumiu investimentos estimados entre R$ 144 milhões e R$ 160 milhões e foi projetado para funcionar em sete pavimentos, com 266 leitos, incluindo 40 UTIs. Apesar da inauguração da primeira etapa que tem 100 leitos, ainda não funciona e a secretaria municipal de Saúde promete colocar em operação antes das eleições para isso está treinando o pessoal que irá trabalhar lá. 

O argumento de Álvaro quando lançou a ideia desse hospital era justamente desafogar o Walfredo Gurgel. Mesma promessa de Fátima em 2022 com a ideia de que o novo hospital irá absorver parte da demanda de trauma e alta complexidade.

Enquanto isso, o candidato Allyson Bezerra segue por outro caminho. Embora destaque o hospital construído em Mossoró durante sua gestão e frequentemente cite resultados obtidos na realização de cirurgias, sua proposta para o governo não prevê grandes hospitais novos. O foco está na reorganização da rede existente, fortalecimento dos hospitais regionais, ampliação de UTIs, exames especializados no interior e um mutirão para reduzir a fila de quase 20 mil cirurgias eletivas.

Já o candidato Cadu Xavier aposta no aumento dos investimentos estaduais em saúde. A promessa é elevar os gastos do setor do mínimo constitucional de 12% da receita que vem sendo cumprido nos últimos oito anos do governo petista para algo entre 15% e 16%. 

Uma proposta ambiciosa. Não falta responder: de onde virá o dinheiro?

Num orçamento estadual que já enfrenta limitações fiscais, elevar em quatro pontos percentuais a participação da saúde significa direcionar centenas de milhões de reais adicionais para o setor ao longo dos anos. O discurso aponta para mais consultas, mais exames, telemedicina, mutirões e ampliação da estrutura hospitalar. O que ainda não apareceu é uma explicação detalhada sobre quais áreas perderiam recursos ou quais novas receitas compensariam esse aumento.

Todos prometem resolver os problemas. Mas existe uma diferença entre construir hospitais e mantê-los abertos.

Levantando paredes, a conta já passa facilmente dos R$ 500 milhões apenas nos projetos anunciados para a Grande Natal. O desafio seguinte será ainda maior: equipar os hospitais, contratar profissionais, manter escalas médicas, comprar medicamentos e pagar a conta mensal de funcionamento.

Porque hospital não funciona com concreto. E essa parte da campanha ainda não foi explicada pelos candidatos.


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