A disparada no preço do querosene de aviação provocada pela guerra no Oriente Médio já começa a provocar impactos diretos no transporte aéreo brasileiro. Após três reajustes consecutivos aplicados pela Petrobras, o combustível utilizado pelas companhias aéreas praticamente dobrou de preço em apenas três meses, pressionando os custos operacionais do setor e levando empresas a cortar voos e rever projeções para o restante do ano.
Em março, o querosene de aviação subiu 9,4%. Em abril, houve aumento de 54%. Já em maio, a Petrobras aplicou nova alta de 18%. Somados, os reajustes acumulam incremento próximo de 100% no preço do combustível, considerado hoje o principal fator de pressão sobre as contas das empresas.
Reportagem divulgada pelo Valor Econômico mostra que os efeitos já aparecem na oferta de voos. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), compilados pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), apontam redução de 4,3% na oferta diária prevista para maio, o equivalente a cerca de 93 voos a menos por dia e perda de aproximadamente 14 mil assentos diários no mercado doméstico.
Nordeste
Os cortes atingem principalmente rotas consideradas menos rentáveis. O Nordeste aparece entre as regiões mais afetadas. Pernambuco teve redução de 11,2% na oferta prevista de voos para maio, enquanto a Paraíba registrou queda de 6,3%. Embora não exista levantamento específico sobre o Rio Grande do Norte, o setor avalia que aeroportos regionais também podem sofrer impactos indiretos nos próximos meses.
As companhias aéreas já admitem que os efeitos mais fortes da crise devem aparecer no segundo e terceiro trimestres. A Azul anunciou redução de cerca de 5% na oferta de assentos em maio e junho e informou aumento médio de 30% nas tarifas futuras. A Latam cancelou projeções de crescimento para 2026 e estima gasto adicional de US$ 700 milhões com combustível apenas no segundo trimestre.
Além da alta internacional do petróleo, o setor demonstra preocupação com o fim da isenção de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação, previsto para 31 de maio. As empresas defendem a prorrogação do benefício para evitar novos aumentos nas passagens e mais cortes na malha aérea brasileira.