A consulta pública sobre o primeiro leilão de baterias da Aneel terminou com forte disputa entre geradores, consumidores e investidores sobre quem pagará a conta dos novos sistemas de armazenamento.
Para o Rio Grande do Norte, que lidera a geração eólica do país e sofre com cortes frequentes de energia renovável por falta de capacidade da rede, um dos pontos mais relevantes é a autorização para instalar baterias junto a parques eólicos e solares já existentes. As empresas defendem que a chamada colocalização permitiria aproveitar subestações e linhas de transmissão já disponíveis, reduzindo custos e armazenando energia que hoje é desperdiçada pelos cortes de geração, conhecidos como curtailment.
Outro debate importante envolve o rateio dos custos. Geradores querem dividir a despesa das baterias com todos os consumidores do Sistema Interligado Nacional, sob o argumento de que os benefícios são coletivos. Já entidades de consumidores sustentam que a conta deve ficar com os próprios geradores, sem impacto adicional na tarifa de energia.
Também preocupa o setor a exigência de conteúdo local nos projetos. Empresas alertam para a escassez de fornecedores nacionais e afirmam que a medida pode elevar os custos entre 20% e 40%, além de aumentar o risco de atrasos na entrega dos equipamentos.
O cronograma é outro desafio. As empresas vencedoras dos leilões terão pouco mais de um ano para implantar os projetos, o que tem levado associações do setor a pedir regras mais ágeis para conexão ao sistema elétrico.
Com grande concentração de parques eólicos e solares e uma das maiores perdas de geração por restrições na transmissão, o RN pode estar entre os estados mais beneficiados pelas baterias. A tecnologia é vista como uma das principais alternativas para aumentar a segurança do sistema e aproveitar melhor a energia renovável produzida no estado.