Uma nova rodada de pesquisas divulgada pela BTG Pactual/Nexus revela como as recentes decisões econômicas do Governo Federal têm repercutido diretamente no bolso e na opinião dos brasileiros. O levantamento traça uma linha direta entre a percepção popular sobre medidas de consumo e endividamento e a consolidação das intenções de voto para a sucessão presidencial de 2026.
O fim da isenção para compras internacionais de até 50 dólares, popularmente conhecido como a "Taxa das Blusinhas", atinge diretamente o hábito de consumo de metade da população: 50% dos entrevistados afirmam ter realizado compras em sites como Shopee, Shein ou AliExpress nos últimos 12 meses.
Embora o tema seja sensível, o governo conquistou um apoio maciço na condução para a medida. Segundo a pesquisa, nada menos do que 73% dos brasileiros avaliam que o Governo Federal "agiu certo" ao acabar com a taxa, contra apenas 15% que consideram a ação errada e 53% afirmam que continuarão comprando do mesmo jeito, enquanto 16% pretendem deixar de comprar e 12% migrarão para o mercado nacional.
Já o programa Desenrola 2.0, focado na renegociação de dívidas, teve uma repercussão bem menor, mas, mesmo assim, entre os entrevistados que possuem alguma dívida, 71% afirmam ter expectativas positivas em relação ao Desenrola 2.0, enxergando na iniciativa uma oportunidade concreta de limpar o nome e reorganizar as finanças familiares. A rejeição ou ceticismo ao programa nesse grupo de endividados é de apenas 29%.
Avaliação do Governo Lula em estabilidade
O reflexo dessas agendas econômicas e do debate sobre o custo de vida reflete-se na avaliação da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que apresenta um cenário de estabilidade com leve viés de melhora na rejeição.
A fatia que avalia o governo como "Ruim/Péssimo" oscilou de 44% em março para 40% em 25 de maio. Já a aprovação ("Ótimo/Bom") variou de 35% para 37% no mesmo período, enquanto o grupo que considera a gestão "Regular" manteve-se praticamente estável em 22%.
Quando questionados sobre os principais problemas do país, a economia e os serviços básicos dividem as maiores preocupações dos brasileiros. A Corrupção lidera o ranking geral de menções acumuladas (1º e 2º lugares) com 28%, seguida de perto pela Saúde Pública (27%) e pela Segurança Pública/Violência (25%). Temas puramente econômicos como Desemprego (9%), Inflação/Custo de vida (7%) e Impostos (6%) continuam pressionando a base governista.
Lula abre pequena vantagem sobre Bolsonaro
NO cenário de voto espontâneo (onde nenhum nome é apresentado ao eleitor), o presidente Lula lidera com 36% das intenções de voto, mostrando um crescimento gradual em relação aos 32% registrados em março. O senador Flávio Bolsonaro consolida-se como o principal nome da oposição neste recorte, mantendo 26% das intenções espontâneas. Outros nomes como Renan Santos (2%), Romeu Zema (2%) e Ronaldo Caiado (2%) aparecem empatados tecnicamente na margem, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro atinge 1%. Os indecisos (Não sabe/Não respondeu) somam 26%.
Nas simulações de segundo turno, o atual mandatário mantém a vantagem em todos os cenários testados:
- Lula vs. Flávio Bolsonaro: Lula lidera com 47% contra 43% do senador. Brancos e nulos somam 9%.
- Lula vs. Romeu Zema: O petista alcança 49% contra 38% do ex-governador de Minas Gerais. O cenário histórico mostra que Zema oscilou negativamente, caindo de 41% em abril para os atuais 38% em maio.
- Lula vs. Ronaldo Caiado: Lula pontua 46% frente a 40% do governador de Goiás.
Perfil da Amostra
A terceira rodada da pesquisa BTG Pactual/Nexus foi realizada por meio de entrevistas telefônicas entre os dias 22 e 24 de maio de 2026. Ao todo, foram ouvidos 2.045 eleitores de todas as regiões do país.
O levantamento conta com uma margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e um intervalo de confiança de 95%. O estudo está oficialmente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número de protocolo BR-04193/2026.