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Cadu ultrapassa Álvaro e embaralha disputa pelo Governo, aponta Quaest

A pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (24) pela Inter TV Cabugi e pelo G1 aponta uma mudança importante no desenho da disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte. Pela primeira vez em um levantamento de ampla repercussão estadual, Cadu Xavier, candidato do PT, aparece numericamente à frente de Álvaro Dias (PL). O petista tem 21% das intenções de voto, contra 19% do ex-prefeito de Natal.

A diferença está dentro da margem de erro de três pontos percentuais. Mas há um dado político novo. Cadu vem aparecendo em linha ascendente nas últimas pesquisas, embora os números sejam muito diferentes. Não se pode comparar diferentes pesquisas pois a data e a metodologia não permitem, mas a pesquisa Pefil/Blog do BG já apontava esse crescimento. Em julho, Cadu tinha 10,31%, já na pesquisa realizada entre 13 e 16 de agosto passou para 16,56%.

A pesquisa Quaest foi feita entre os dias 20 e 23 de agosto e mostra o candidato do PT na frente do candidato do PL também num eventual segundo turno. Cadu aparece com 36% das intenções de voto, contra 31% de Álvaro. O resultado reforça que a disputa entre os dois está aberta.

Allyson Bezerra (União Brasil) continua aparecendo em primeiro lugar com 25%. Mas não mais numa posição tão confortável como vinha aparecendo até aqui. Pela margem de erro, essa pesquisa aponta os três principais candidatos tecnicamente empatados. A eleição, portanto, chega ao início da propaganda eleitoral com uma disputa muito mais aberta entre os três do que a simples ordem dos percentuais poderia indicar.

O dado mais relevante para compreender a situação de Cadu está na combinação entre intenção de voto, conhecimento e rejeição. O candidato do PT tem 21%, mas 47% dos eleitores dizem que ainda não o conhecem. Outros 27% afirmam que o conhecem e poderiam votar nele, enquanto 26% dizem que não votariam nele de jeito nenhum.

Esses números mostram que ele chega aos 21% sem que mais da metade do eleitorado tenha formado uma opinião sobre sua candidatura. Há, portanto, uma parcela expressiva do eleitorado que ainda será alcançada pela campanha, daí a aposta na vinculação com o nome do presidente Lula que, pela mesma pesquisa, tem 56% de intenção de voto no RN, contra 19% do candidato do PL, Flávio Bolsonaro.

Álvaro chega a essa mesma disputa em condição diferente. É conhecido por 74% dos entrevistados, tem potencial de voto de 32%, mas registra 42% de rejeição. Entre os três principais candidatos, é o maior índice. No caso de Álvaro, a margem de crescimento depende mais de convencer eleitores que já conhecem sua trajetória.

É nessa diferença que está um dos principais desafios da disputa pelo segundo turno. Cadu precisa transformar conhecimento em voto. Álvaro precisa transformar conhecimento em aceitação.

Liderança ameaçada

Allyson, por sua vez, permanece numericamente na frente e apresenta o menor nível de rejeição entre os três principais candidatos, mas, ao que as pesquisas mostram, estacionou num teto que varia dos 25% da Quest a 33% na Perfil.

O ex-prefeito de Mossoró tem uma situação mais equilibrada. É conhecido por 61% do eleitorado, tem potencial de voto de 36% e rejeição de 25%. Mas nas simulações de segundo turno não aparece numa situação tão boa como sua campanha imagina entraria na segunda etapa da campanha. Contra Cadu ele tem apenas um ponto de vantagem e contra Álvaro aparece cinco pontos à frente.

A pesquisa espontânea reforça o grau de indefinição. Quando os nomes dos candidatos não são apresentados, Allyson tem 16%, Cadu 10% e Álvaro também 10%. Cinquenta e sete por cento dos entrevistados não souberam ou não responderam. Outros 6% indicaram branco ou nulo.

O quadro também mostra que a eleição ainda está longe de uma decisão consolidada. Sessenta e seis por cento dizem que sua escolha é definitiva, mas 34% admitem que podem mudar de voto até 4 de outubro.

Cadu chega a esse momento apoiado em uma estratégia que associa diretamente sua candidatura ao presidente Lula. A Quaest mostra que essa associação pode produzir algum efeito, mas não é automática. Para 37% dos entrevistados, o apoio de Lula aumenta a possibilidade de votar no candidato. Para 40%, não muda nada. Para 20%, diminui.

Por outro lado, o eleitorado também demonstra forte desejo de mudança na condução do Estado. Quarenta e oito por cento defendem uma mudança total no trabalho realizado pelo governo estadual. Outros 33% querem mudar apenas o que não está funcionando. Só 15% defendem a continuidade. Esse dado reforça o posicionamento de Álvaro Dias que se apresenta como efetiva oposição ao governo Fátima Bezerra com o slogan Pra mudar o que está ai.

É esse cruzamento de dados que torna a primeira Quaest da eleição especialmente relevante. A partir dela, a disputa pelo segundo turno deixa de ser uma hipótese para se transformar em uma briga aberta entre Cadu e Álvaro, enquanto Allyson tenta preservar a vantagem que ainda mantém na liderança numérica.

A pesquisa Quaest ouviu 804 eleitores entre os dias 20 e 23 de agosto e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número RN-00876/2026.

 


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