O último debate desta campanha eleitoral, promovido pela Inter TV RN na noite desta quinta-feira (22), não teve nada de muito diferente do que aconteceu nos outros sete debates que foram realizados este ano entre os candidatos a governar o Rio Grande do Norte. Foram ataques diretos entre os candidatos ao Governo do Estado, tendo como principais temas a situação fiscal do Rio Grande do Norte, denúncias de irregularidades na administração pública e uma série de promessas voltadas ao eleitorado.
A novidade que apareceu neste debate ocorreu quando Allyson Bezerra (União Brasil) acusou o Governo do Estado de ter escondido um decreto de limitação de empenho que prevê cortes superiores a R$ 195 milhões no orçamento. Segundo o candidato, a medida teria sido mantida fora do debate público até depois das eleições para evitar desgaste político.
Allyson classificou a iniciativa como um "pacote de maldades" e afirmou que os bloqueios atingem áreas essenciais. Entre os exemplos citados, apontou quase R$ 5 milhões em reduções para a segurança pública, cerca de R$ 6 milhões para a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) e aproximadamente R$ 163 milhões no Departamento de Estradas de Rodagem (DER), além de impactos em programas sociais, habitação, políticas para mulheres e apoio aos artesãos.
Ao responder ao adversário, Cadu de Lula (PT) afirmou não ter conhecimento suficiente para discutir os detalhes do decreto, mas aproveitou o confronto para explorar outra frente de ataque. O petista voltou a mencionar a Operação Mederi que apura desvio de recursos da Saúde na Prefeitura de Mossoró, e procurou estabelecer um contraste entre sua trajetória política e a de Allyson.
Cadu destacou que participou da gestão estadual por mais de sete anos sem responder a investigações e afirmou que sempre atuou com "as mãos limpas". Já Allyson rebateu as críticas e procurou associar o adversário aos problemas fiscais enfrentados pelo Estado nos últimos anos.
O embate também avançou para o campo político e ideológico. Cadu reforçou seu alinhamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou representar o projeto político do governo federal no Rio Grande do Norte. Allyson, por sua vez, voltou a defender um posicionamento independente, enquanto era acusado pelo adversário de mudar de lado conforme as circunstâncias políticas.
Apesar da troca de acusações, os candidatos apresentaram propostas semelhantes em alguns temas. Ambos defenderam a construção da Ponte da Zona Norte, considerada uma das principais obras de mobilidade aguardadas na Grande Natal, e manifestaram apoio a medidas de anistia e regularização para motociclistas.
Com poucos dias para a votação, o encontro reforçou o tom acirrado da disputa e não deve ter grande influência na decisão do eleitorado no próximo domingo.