A disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte em 2026 caminha para um cenário de equilíbrio inédito no tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Ao menos entre os três principais pré-candidatos, a diferença projetada é bem menor do que a registrada nas eleições municipais de 2024 em Natal, quando a ampla coligação do então candidato Paulo Freire garantiu a ele quase quatro vezes mais tempo de TV do que o ex-prefeito Carlos Eduardo, que liderava as pesquisas no início da campanha, mas acabou fora do segundo turno.
Levantamento extraoficial publicado pelo site Metrópoles, com base nos critérios de distribuição do Tribunal Superior Eleitoral, indica que PL e PT seguem como as legendas com maior tempo individual de TV no país. No entanto, no cenário potiguar, as alianças em formação aproximam os principais concorrentes.
Pelas projeções, o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, largaria em vantagem. Somados os tempos de União Brasil, PP, MDB, PSD e Solidariedade, ele teria cerca de 4 minutos e 27 segundos por bloco de 12 minutos e 30 segundos.
O ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, teria aproximadamente 3 minutos e 40 segundos, considerando PL, Podemos e Republicanos.
Já o secretário estadual Cadu Xavier, apoiado pelo PT, contaria com algo em torno de 3 minutos e 11 segundos, na soma de PT, PDT, PV, PCdoB, PSB e PSOL.
A conta ainda não fecha os 12 minutos e 30 segundos de cada bloco porque há partidos cujo posicionamento permanece indefinido, como PSDB, Cidadania, Avante, PRD e Rede. A depender das coligações e federações formalizadas até abril, o cenário pode sofrer ajustes.
Pela Constituição, só têm acesso ao horário eleitoral gratuito os partidos que superaram a cláusula de barreira, mecanismo que exige desempenho mínimo na eleição para a Câmara dos Deputados. Neste ano, 19 legendas devem dividir oficialmente o tempo, algumas delas por meio de federações partidárias.
No plano nacional, PT e PL lideram a divisão do horário eleitoral nas disputas presidenciais. As inserções para presidente irão ao ar às terças, quintas e sábados, com 25 minutos diários em cada meio de comunicação.
Fundão eleitoral
Se no tempo de TV o cenário no RN é relativamente equilibrado, no acesso ao Fundo Eleitoral as diferenças são expressivas em nível nacional. Segundo o levantamento do Metrópoles, o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, deve dispor de cerca de R$ 882,6 milhões para financiar candidaturas em todo o país.
O PT, legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aparece em seguida, com aproximadamente R$ 618,3 milhões.
União Brasil, PSD e PP, que gravitam em torno da pré-candidatura de Allyson Bezerra no RN, devem somar mais de R$ 1,3 bilhão em recursos nacionais, formando um dos maiores blocos financeiros da eleição.
Ao todo, os partidos terão à disposição mais de R$ 4,9 bilhões do fundo público para custear campanhas em 2026. A divisão leva em conta o desempenho das siglas nas eleições de 2022, especialmente o número de deputados federais eleitos.
Os valores definitivos serão divulgados pelo TSE em junho. Já a distribuição oficial do tempo de rádio e TV deve ser anunciada em agosto, após o encerramento do registro de candidaturas.
A propaganda eleitoral do primeiro turno está prevista para ocorrer entre 28 de agosto e 1º de outubro de 2026. Até lá, alianças, federações e eventuais desistências podem alterar o tabuleiro — mas, pelo desenho atual, o RN deve assistir a uma disputa mais equilibrada no horário eleitoral do que a vista nos últimos pleitos.
Segue o quadro para ilustrar a matéria:
📺 Tempo de TV e Rádio por Partido
(por bloco de 12 minutos e 30 segundos)
| Partido | Tempo |
|---|---|
| PL | 2min12s |
| PT | 1min35s |
| União Brasil | 1min21s |
| PP | 1min06s |
| MDB | 1min00s |
| PSD | 1min00s |
| Republicanos | 56s |
| Podemos | 30s |
| PDT | 25s |
| PSB | 24s |
| PSDB | 21s |
| PSOL | 21s |
| PCdoB | 13s |
| Avante | 13s |
| Solidariedade | 13s |
| PV | 12s |
| Cidadania | 11s |
| PRD | 11s |
| Rede | 7s |
Projeção baseada em levantamento do site Metrópoles, considerando os critérios de distribuição definidos pelo TSE e decisões recentes sobre cadeiras na Câmara dos Deputados.