Levantamento da consultoria Aequus mostra que o RN registrou alta real de 300,7% nos investimentos entre janeiro e junho deste ano em comparação com o mesmo período de 2025, o maior avanço do país. No semestre, os investimentos liquidados somaram R$ 620 milhões. O Estado também liderou o ranking quando considerados investimentos e inversões financeiras, com crescimento de 203,6%.
O resultado chama atenção por ocorrer em um ano eleitoral e em um estado que, paralelamente, continua com uma das menores capacidades de investimento do Nordeste. Dados da Secretaria do Tesouro Nacional mostram que apenas 5% da receita total do RN foi destinada a investimentos no período, o menor percentual da região.
Os números da execução orçamentária ajudam a explicar a aparente contradição. Até junho, o governo estadual arrecadou R$ 833,8 milhões em operações de crédito, valor superior ao total investido no semestre. A cifra corresponde praticamente à totalidade do crédito previsto para o ano.
Os dados mostram que o salto dos investimentos parte de uma base muito baixa no ano passado e combinação entre financiamentos e aceleração da execução de obras já previstas.
Parte expressiva desses recursos está associada ao Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal (PEF), programa que permitiu ao Rio Grande do Norte contratar financiamentos com garantia da União. O principal destino foi a recuperação da malha rodoviária estadual, uma das vitrines da atual gestão, além de obras em áreas como saúde, educação e infraestrutura hídrica.
O cenário observado no RN acompanha uma tendência nacional. Segundo a Aequus, os investimentos dos estados brasileiros alcançaram R$ 42,9 bilhões no primeiro semestre, recorde histórico para o período e alta real de 40,6% sobre 2025. O movimento foi favorecido pela melhora da capacidade de crédito dos estados e pela ampliação das operações de financiamento. No conjunto do país, as receitas provenientes de operações de crédito cresceram mais de 50% no semestre.
No caso potiguar, entretanto, os investimentos avançam enquanto persistem desafios fiscais relevantes. O regime previdenciário estadual registrou déficit de R$ 1,02 bilhão nos primeiros seis meses do ano, enquanto o comprometimento da receita com despesas de pessoal continua entre os mais elevados do país.
Assim, o desempenho que colocou o Rio Grande do Norte na liderança nacional dos investimentos é o efeito de financiamentos contratados nos últimos anos, cujos recursos começaram a chegar e ser executados justamente em 2026, ano de eleições.