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Estádios da Copa do Brasil acumulam dívidas de R$ 232 milhões

Doze anos após a Copa do Mundo de 2014, oito dos 12 estádios construídos ou reformados para receber o torneio ainda acumulam dívidas de R$ 232 milhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os financiamentos continuam sendo pagos pelos governos estaduais, consumindo recursos públicos enquanto algumas arenas operam com prejuízo e baixa utilização.

No Rio Grande do Norte, a Arena das Dunas ficou fora dessa lista por um motivo que a diferencia da maioria dos estádios erguidos para o Mundial. O empreendimento foi construído por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), modelo em que a concessionária privada assumiu a execução da obra e contratou o financiamento necessário para viabilizar o investimento.

Na maior parte das demais arenas da Copa, o caminho foi outro. Os próprios governos estaduais contrataram empréstimos junto ao BNDES para construir os estádios e continuam responsáveis pelo pagamento dessas dívidas. Em muitos casos, além das prestações do financiamento, os estados ainda arcam com despesas de operação, manutenção e conservação das arenas. Em outros, as arenas foram concedidas à iniciativa privada mas já depois de construídas, ficando só a gestão a cargo da concessionária. 

Na Arena das Dunas, o Governo do Rio Grande do Norte não assumiu diretamente o financiamento da construção. Em contrapartida, firmou um contrato de concessão administrativa pelo qual se comprometeu a pagar contraprestações periódicas à concessionária responsável pela operação do estádio durante toda a vigência da PPP.

Na prática, isso significa que o Estado não paga prestações ao BNDES, mas continua realizando desembolsos previstos em contrato para remunerar o investimento realizado pela iniciativa privada e garantir a operação e a manutenção do equipamento.

O contrato passou por uma repactuação no último ano, reduzindo significativamente o valor das contraprestações mensais pagas pelo Estado e alongando o prazo da dívida. A renegociação diminuiu o impacto imediato sobre o caixa estadual, embora os compromissos financeiros permaneçam até o encerramento da concessão.

A Arena das Dunas custou cerca de R$ 400 milhões e tornou-se um dos principais equipamentos multiuso do Rio Grande do Norte. Além das partidas de futebol envolvendo ABC, América e outras competições nacionais, o estádio recebe shows, feiras, congressos e eventos corporativos, garantindo um nível de utilização superior ao observado em parte das arenas construídas para a Copa.

Em estados como Amazonas, Mato Grosso e Pernambuco, por outro lado, os estádios enfrentam dificuldades para manter uma agenda permanente de eventos, registram déficits operacionais e continuam dependendo de recursos públicos tanto para o pagamento dos financiamentos quanto para sua manutenção.

A diferença entre os modelos adotados ajuda a explicar por que a Arena das Dunas não aparece entre os estádios ainda endividados com o BNDES. Isso, porém, não significa que o equipamento tenha deixado de representar um compromisso financeiro para o Estado.

 


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