A decisão da governadora Fátima Bezerra (PT) de permanecer no governo até o fim do mandato tem origens e consequências que pesaram na decisão. Além da óbvia decisão do vice-governador Walter Alves (MDB) de não assumiu o governo, pesou também a falta de apoio do presidente da Assembleia Ezequiel Ferreira, de malas prontas para o Republicanos, que está no projeto da campanha de Álvaro Dias, adversário de Fátima nessas eleições. O presidente da Assembleia deve migrar para nova legenda junto com Paulo Freire, Eriko Jácome e Fábio Dantas, os 3 eleitores de Álvaro nesta eleição.
O grupo de Fátima ainda tentou levar à eleição indireta o nome do deputado Chico do PT com o apoio dos deputados do PP, mas como a articulação não passou por Ezequiel foi vetada pelo presidente da Assembleia. O resultado é que sem consenso entre o grupo de Fátima, de Ezequiel e de Kleber Rodrigues no legislativo não haveria como eleger um nome para o mandato tampão sem o risco de o governo cair nas mãos de um adversário.
Já as consequências serão definidas nos próximos 15 dias quando fecha a janela para a mudança partidária. Mas a primeira consequência já foi registrada hoje com o presidente do PV, Rivaldo Fernandes, retirando seu nome para uma disputa ao Senado ao lado de Fátima.
A governadora só confirmou a candidatura ao governo de Cadu Xavier, com a justificativa de que ainda tem que ouvir o PT sobre a vaga ao Senado, mas o nome já confirmado internamente é o da vereadora Samanda Alves, presidente estadual da sigla, embora setores do partido ainda tentem convencer a deputada Natália Bonavides a assumir a missão arriscada de disputar o Senado.
Fátima, na mensagem que leu na Assembleia no início do ano, lembrou que tinha uma reeleição de federal garantida mas aceitou disputar o Senado em 2014 como uma missão do partido e acabou se elegendo senadora. Na carta de hoje repetiu a história. A quem veja nessa insistência um recado para Natália.
Outra questão é sobre a outra vaga. O partido irá decidir se apoia Jean Paul Prates, que tem sérias restrições de setores do partido, inclusive do chefe da Casa Civil, Raimundo Alves, ou se mantém a vaga em aberto o que facilitaria uma migração do segundo voto para a senadora Zenaide Maia.
Já está claro entre os estrategistas do PT que num segundo turno entre Allysson Bezerra e Álvaro Dias, o partido terá que optar pelo nome do prefeito de Mossoró, não cabendo alternativa diante da polarização nacional. A senadora do PSD, sempre votou a favor das pautas do governo Lula no Senado e pode costurar essa aproximação mesmo durante a campanha, aparando as arestas que os próprios petistas levantaram desde que a PF passou a investigar a gestão de Mossoró.
Chapa proporcional
Outra consequência é que Fátima deverá atuar fortemente para fortalecer a bancada da Frente formada com o PV e PC do B na Câmara Federal e na Assembleia. Se Natália permanecer na chapa federal, a governadora já conversou com o PSOL nacional, leia-se Boulos, para liberar Thabata Pimenta para migrar para o PV. Nesse caso, a Frente acredita que pode eleger quatro deputados federais ou no mínimo garantir três vagas.
A governadora também já entrou em campo para reforçar a chapa a estadual. A ideia é segurar Eudiane Macedo, que estava de malas prontas para o Republicanos, trazer de volta Ubaldo Fernandes para o PV, já que anda conversando com os 3 lados, e ainda reforçar os candidatos do partido Isolda Dantas, Chico do PT e Divaneide Basílio, além de atrair outros nomes com quem Raimundo Alves já andou conversando como Gustavo Soares, de Assu, e a ex-prefeita de Jandaíra, Marina Marinho, bem como a vereadora em Natal, Brisa Bracchi. E até mesmo convencer o ex-prefeito Carlos Eduardo a se filiar ao PV para formar uma nominata que acreditam pode fazer de 8 a 9 nomes na Assembleia.
A frente do governo e com a máquina na mão, o PT aposta que pode aumentar a votação de seus candidatos e ter uma bancada mais expressiva para o futuro.