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Leão XIV tenta evitar novo cisma na Igreja

O papa Leão XIV fez um apelo de última hora para tentar impedir uma nova divisão na Igreja Católica. Em uma carta divulgada pelo Vaticano, ele pediu que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X desista de ordenar quatro novos bispos nesta quarta-feira, na Suíça, sem autorização da Santa Sé.

A ordenação de um bispo sem a autorização do Papa é considerada um desafio direto à autoridade de quem governa a Igreja Católica. Foi exatamente isso que aconteceu em 1988, quando a Fraternidade rompeu com Roma e deu início a um dos maiores conflitos da história recente do catolicismo.

A Fraternidade São Pio X nasceu em 1970, logo após o Concílio Vaticano II, encontro que promoveu profundas mudanças na Igreja. Entre elas estavam a celebração da missa nas línguas de cada país, maior aproximação com outras religiões e uma postura mais aberta diante do mundo moderno.

Nem todos aceitaram essas mudanças. Liderado pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, o grupo decidiu preservar a forma antiga de celebrar a missa e rejeitou parte das reformas aprovadas pelo Concílio.

O conflito chegou ao limite em 1988. Sem a autorização do papa João Paulo II, Lefebvre ordenou quatro bispos para garantir a continuidade da Fraternidade. O Vaticano considerou o gesto uma ruptura com a Igreja e aplicou a excomunhão aos envolvidos.

Desde então, os papas tentaram reconstruir a relação. Bento XVI retirou a excomunhão dos bispos como gesto de aproximação. Depois, Francisco autorizou que padres da Fraternidade celebrassem alguns sacramentos com reconhecimento da Igreja, numa tentativa de facilitar uma reconciliação definitiva.

Agora, porém, o impasse voltou. A Fraternidade anunciou que ordenará outros quatro bispos, novamente sem autorização do Papa e novamente em Écône, na Suíça, o mesmo local da cerimônia de 1988.

Leão XIV decidiu fazer um último apelo antes da cerimônia. Na carta, ele reconhece que muitos integrantes da Fraternidade demonstram amor pela tradição da Igreja e dedicação à formação de padres. Mesmo assim, pede que desistam da decisão para evitar uma nova ruptura.

O Papa afirma que o maior prejuízo seria para os próprios fiéis, que poderiam enfrentar problemas no reconhecimento de alguns sacramentos celebrados pela Fraternidade.

Embora a carta não fale em excomunhão, o Vaticano já avisou anteriormente que a ordenação de bispos sem autorização papal tem essa consequência prevista no Direito Canônico.

Se a cerimônia acontecer como está marcada, a Igreja poderá viver sua maior crise com a Fraternidade São Pio X desde 1988. Mais do que uma disputa entre religiosos, o episódio representa um novo teste para a unidade da Igreja Católica e para a capacidade de diálogo do pontificado de Leão XIV.


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Heverton de Freitas