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Nova estratégia para eólicas offshore

A publicação da nova metodologia da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para seleção de áreas destinadas à oferta de projetos de geração eólica offshore inaugura uma nova etapa para o desenvolvimento da energia no mar no Brasil. O documento estabelece critérios técnicos para orientar o governo federal na escolha das áreas que poderão ser ofertadas ao mercado, buscando reduzir conflitos ambientais, jurídicos e de uso do espaço marítimo.

Para o Rio Grande do Norte, estado que já lidera a geração de energia eólica em terra e reúne um dos maiores potenciais de ventos marítimos do país, a iniciativa representa uma oportunidade de consolidar uma nova fronteira de investimentos.

A metodologia foi elaborada para subsidiar a decisão do poder concedente sobre a localização das futuras áreas de oferta, reunindo critérios técnicos e contribuições de diferentes órgãos públicos envolvidos no processo autorizativo. A versão publicada em julho de 2026 incorpora as alterações da Lei nº 15.097/2025, da Resolução CNPE nº 1/2026 e as contribuições recebidas durante consulta pública.

Na prática, a EPE deixa claro que a expansão da eólica offshore não dependerá apenas da qualidade dos ventos. A seleção das áreas considera restrições ambientais, rotas de navegação, atividades pesqueiras, blocos de petróleo e gás, unidades de conservação, cabos submarinos, aspectos de defesa nacional e a viabilidade de conexão ao Sistema Interligado Nacional.

Essa abordagem tende a favorecer estados que já possuem infraestrutura elétrica consolidada e experiência na operação de grandes parques eólicos, características presentes no Rio Grande do Norte.

O estado reúne vantagens competitivas importantes. Além do elevado fator de capacidade dos ventos, dispõe de uma cadeia produtiva estruturada, mão de obra especializada, empresas fornecedoras de equipamentos e uma extensa rede de transmissão construída ao longo das últimas duas décadas para atender à expansão da geração eólica terrestre.

Outro fator relevante é a possibilidade de integração entre a geração offshore e novos empreendimentos de grande consumo de energia. O avanço de projetos de hidrogênio de baixo carbono, combustíveis sustentáveis, produção de amônia verde, data centers e sistemas de armazenamento por baterias pode aumentar a demanda local por energia renovável, reduzindo parte dos problemas de escoamento atualmente enfrentados pelos geradores do Nordeste.

A metodologia também reforça a necessidade de planejamento espacial do ambiente marinho. O documento utiliza referências como o Planejamento Espacial Marinho, áreas prioritárias para conservação da biodiversidade, planos de proteção de espécies ameaçadas, estudos sobre petróleo e gás e normas ambientais para definir as regiões com maior viabilidade para futuros leilões.

Embora o potencial do litoral potiguar seja amplamente reconhecido, a disputa pelos primeiros projetos comerciais deverá ser intensa. Ceará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e outros estados também apresentam áreas tecnicamente favoráveis e vêm estruturando políticas para atrair investimentos.

No caso potiguar, especialistas apontam que o aproveitamento dessa oportunidade dependerá de fatores que vão além do recurso natural. A modernização da infraestrutura portuária, o fortalecimento da rede de transmissão, a definição do modelo de oferta das áreas e a segurança regulatória serão determinantes para transformar o potencial eólico offshore em investimentos efetivos.

 


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