A sanção da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos pelo presidente Lula pode abrir novas oportunidades para o Rio Grande do Norte, estado que já aparece em estudos geológicos como uma das áreas promissoras do país para minerais usados na transição energética.
O novo marco legal busca estimular não apenas a extração, mas também o processamento e a agregação de valor a minerais considerados estratégicos para setores como energia renovável, veículos elétricos, tecnologia e defesa.
No RN, o principal potencial está concentrado na região do Seridó. Levantamento recente do Serviço Geológico do Brasil identificou ocorrências de lítio e terras raras em municípios como Currais Novos, Parelhas e Tenente Ananias.
Os estudos mapearam mais de 4,7 mil corpos pegmatíticos, número que pode ultrapassar 7 mil após novas avaliações. Essas formações geológicas podem conter minerais estratégicos para a fabricação de baterias, motores elétricos e ímãs permanentes utilizados em turbinas eólicas.
Segundo representantes do setor mineral, existem atualmente 28 processos de pesquisa para terras raras registrados na Agência Nacional de Mineração no Rio Grande do Norte.
O interesse não se limita às terras raras. Estudos apontam a presença de minerais associados ao lítio, considerado um dos insumos mais disputados do mundo por sua utilização em sistemas de armazenamento de energia e baterias para veículos elétricos.
O estado também possui tradição na exploração da scheelita, principal fonte de tungstênio. De acordo com a ANM, o Rio Grande do Norte concentra as principais reservas brasileiras do mineral, utilizado nas indústrias aeroespacial, automotiva e de defesa.
O potencial mineral já começa a atrair interesse internacional. A australiana Summit Minerals desenvolve pesquisas em área localizada no município de Equador, na região Seridó, com foco em nióbio, tântalo e terras raras. A nova legislação pode aumentar a atratividade de estados que reúnem potencial mineral e infraestrutura energética, caso do Rio Grande do Norte, líder nacional na geração de energia eólica.
A expectativa do governo federal é que o novo marco estimule investimentos, fortaleça a cadeia industrial e reduza a dependência da exportação de matéria-prima sem beneficiamento.