O Rio Grande do Norte está entre os Estados brasileiros que podem sofrer os maiores impactos caso os Estados Unidos confirmem a nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros proposta pelo governo de Donald Trump. Levantamento do Valor Econômico aponta que 67,5% das exportações potiguares para o mercado americano poderão ser atingidas pela medida, colocando o Estado entre os 14 mais vulneráveis do país.
A preocupação é maior na cadeia de pescados, um dos segmentos mais dependentes dos compradores americanos. Os Estados Unidos são hoje o principal destino das exportações brasileiras do setor e, em alguns produtos, como a tilápia, concentram mais de 90% das vendas externas. Para espécies capturadas no Nordeste, como lagosta e atum, o mercado americano também figura entre os principais compradores, o que torna a eventual sobretaxa uma ameaça para empresas exportadoras da região.
O setor já sentiu os efeitos da política comercial americana no ano passado, quando entrou em vigor o chamado tarifaço imposto pela Casa Branca. Na ocasião, parte das exportações precisou ser redirecionada para outros mercados, especialmente a China, mas a estratégia não evitou perdas. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), a expectativa era fechar o ano com US$ 450 milhões em exportações, porém a receita ficou próxima de US$ 370 milhões, reflexo da redução das vendas aos Estados Unidos.
O presidente da Abipesca, Eduardo Lobo, afirma que encontrar novos compradores não é uma solução imediata. Diferentemente de commodities, como a soja ou a carne bovina, o pescado depende do hábito de consumo de cada país. Espécies, cortes, padrões de processamento e exigências sanitárias variam de mercado para mercado, tornando mais lenta a substituição de clientes.
A nova tarifa foi proposta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da legislação americana. A investigação questiona práticas comerciais brasileiras em áreas como propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento, acordos comerciais e até o funcionamento do Pix. A sobretaxa ainda depende da conclusão da consulta pública aberta pelo governo americano e poderá sofrer alterações antes da decisão final.
Embora a proposta traga uma lista de exceções para centenas de produtos brasileiros, representantes da indústria pesqueira afirmam que boa parte dos pescados continua sujeita à nova tributação. Por isso, o setor prepara uma manifestação técnica que será apresentada ao USTR e participará da audiência pública marcada para julho, em Washington.
O levantamento mostra ainda que os efeitos da medida tendem a ser desiguais entre os Estados. Enquanto alguns têm sua pauta de exportação concentrada em produtos que ficaram de fora da proposta, o Rio Grande do Norte aparece entre os mais expostos ao lado de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Ceará, Pernambuco, Pará e Amazonas.
Apesar do impacto regional, a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) avalia que a balança comercial brasileira deverá permanecer superavitária, impulsionada principalmente pelas exportações de petróleo. Para os setores mais dependentes do mercado americano, no entanto, a expectativa é de aumento dos custos, perda de competitividade e necessidade de acelerar a abertura de novos mercados para reduzir a dependência dos Estados Unidos.
Essa versão tem um foco claro no RN, explica por que o Estado está vulnerável, contextualiza o setor de pescados e mantém as demais informações nacionais apenas como apoio. É uma estrutura mais próxima de uma reportagem de economia publicada em jornais como Valor, Estadão ou Folha.