Durante a última década, o Rio Grande do Norte assistiu à redução da produção de petróleo em campos terrestres, ao desinvestimento da Petrobras e à entrada de novos operadores privados na Bacia Potiguar. Apesar desse cenário de transformações, o petróleo continua ocupando posição central na economia industrial do estado.
É o que mostra a Pesquisa Industrial Anual (PIA-Empresa), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados revelam que a atividade de extração de petróleo e gás natural permanece como o principal segmento da indústria potiguar em geração de receita, confirmando que o setor continua sendo um dos maiores responsáveis pela riqueza produzida no estado.
Segundo o levantamento, o Rio Grande do Norte gerou R$ 12,77 bilhões em Valor da Transformação Industrial (VTI), indicador que mede a riqueza efetivamente criada pela indústria após o desconto dos custos de produção. O resultado coloca o estado na quinta posição entre as economias industriais do Nordeste, atrás de Bahia, Pernambuco, Ceará e Maranhão, respondendo por cerca de 6% de toda a riqueza industrial produzida na região.
Dentro desse universo, a extração de petróleo e gás natural aparece como a atividade de maior peso econômico. O setor registrou receita líquida de vendas de R$ 3,09 bilhões, liderando o ranking estadual e demonstrando que continua exercendo papel estratégico na estrutura produtiva potiguar, mesmo após a redução da atividade observada nos últimos anos.
O levantamento também revela que riqueza e geração de empregos seguem caminhos diferentes na indústria do Rio Grande do Norte.
Enquanto o petróleo lidera a geração de valor econômico, a fabricação de produtos alimentícios permanece como a principal empregadora do estado. O segmento movimentou R$ 6,74 bilhões em receita líquida de vendas e manteve 16.472 trabalhadores formais. Logo atrás aparece a indústria de confecção de artigos do vestuário e acessórios, responsável por 15.514 empregos.
Juntos, alimentos e confecções respondem por quase metade dos empregos industriais do Rio Grande do Norte, mostrando que a sustentação do mercado de trabalho está concentrada em atividades diferentes daquelas que produzem maior valor agregado para a economia. Ao todo, as indústrias potiguares empregaram 66.548 pessoas e desembolsaram R$ 2,38 bilhões em salários ao longo do ano pesquisado.
A Pesquisa Industrial Anual também mostra que o Rio Grande do Norte possui 2.057 unidades industriais com cinco ou mais pessoas ocupadas. Essas empresas movimentaram R$ 28,32 bilhões em receita líquida de vendas, mantendo o estado na quinta colocação entre as economias industriais do Nordeste.
Os números desenham uma estrutura industrial marcada pela complementaridade entre os setores. O petróleo continua sendo o principal gerador de riqueza e um dos responsáveis por elevar a renda média da indústria potiguar. Ao mesmo tempo, os segmentos de alimentos e confecções sustentam a maior parte dos empregos formais, conferindo maior capilaridade à atividade industrial.
RN mantém quinta maior indústria do Nordeste
Os dados da Pesquisa Industrial Anual mostram que o Rio Grande do Norte preserva uma posição de destaque na economia industrial nordestina. O estado ocupa a quinta colocação em Valor da Transformação Industrial, ficando atrás apenas de Bahia, Pernambuco, Ceará e Maranhão.
Com R$ 12,77 bilhões em riqueza industrial, o Rio Grande do Norte supera a Paraíba, que registrou R$ 9,2 bilhões, além de Sergipe, Alagoas e Piauí.
O desempenho também chama atenção quando analisada a remuneração dos trabalhadores. Enquanto o Rio Grande do Norte ocupa a quarta colocação no ranking regional de salários industriais, com média de dois salários mínimos, a Paraíba aparece com remuneração média de 1,6 salário mínimo. O Ceará e Alagoas registraram média de 1,7 salário mínimo.
Ranking do Valor da Transformação Industrial no Nordeste
- Bahia – R$ 68,9 bilhões
- Pernambuco – R$ 48,5 bilhões
- Ceará – R$ 38 bilhões
- Maranhão – R$ 18,3 bilhões
- Rio Grande do Norte – R$ 12,77 bilhões
- Paraíba – R$ 9,2 bilhões
- Sergipe – R$ 7,9 bilhões
- Alagoas – R$ 7,1 bilhões
- Piauí – R$ 1,9 bilhão