A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou a indicação de 24 novos blocos exploratórios na porção terrestre da Bacia Potiguar, abrindo uma nova perspectiva para a atividade petrolífera no Rio Grande do Norte. As áreas poderão ser incluídas em futuros ciclos da Oferta Permanente de Concessão.
A decisão ocorre em um momento de retomada do interesse exploratório na região. No mar, a Petrobras renovou neste ano a licença ambiental para perfurar os poços Mãe de Ouro, Inhame e Taianga, nos blocos BM-POT-17 e POT-M-762. A autorização concedida pelo Ibama tem validade de cinco anos.
Os dois movimentos estão em estágios diferentes. Os blocos indicados pela ANP ainda dependem de análises técnicas e ambientais, manifestação dos ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente e do Clima e audiência pública. A eventual oferta somente poderá ocorrer depois do 6º ciclo da Oferta Permanente, previsto para 7 de outubro, com oito blocos terrestres da bacia potiguar incorporados ao edital da Oferta Permanente. Agora, a ANP acrescenta outros 24 blocos ao conjunto de áreas que poderão ser ofertadas em ciclos futuros.
Já a Petrobras está autorizada a avançar com a campanha exploratória em águas profundas da Margem Equatorial. A área ganhou relevância após as descobertas e os indícios de petróleo registrados nos poços Anhangá e Pitu Oeste.
A bacia potiguar foi uma das principais produtoras de petróleo em terra do país, mas registrou forte redução da produção nos últimos anos. Em dezembro de 2025, o Rio Grande do Norte produzia cerca de 33 mil barris de petróleo por dia.
Entre os blocos indicados pela ANP está o POT-T-551, na região de Tabuleiro do Norte, no Ceará. A área ganhou atenção depois que a agência confirmou a presença de petróleo em fluido identificado durante atividade exploratória.
O resultado não representa uma descoberta no território potiguar, mas acrescenta um dado relevante às discussões sobre o potencial geológico da Bacia Potiguar, que se estende pelos dois estados.
A possibilidade de novas áreas terrestres e a continuidade da exploração marítima podem ampliar a perspectiva de investimentos no setor, depois de anos de queda da produção.
Ainda não há garantia de novas reservas ou de aumento da produção. Os blocos terrestres dependem de novas etapas regulatórias, enquanto os poços da Petrobras ainda precisarão apresentar resultados exploratórios que confirmem a viabilidade das áreas.