A Polícia Federal deflagrou nesta terça feira 27 uma operação para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos e fraudes em contratos de fornecimento de medicamentos no Rio Grande do Norte. A ação cumpre 35 mandados de busca e apreensão em municípios como Mossoró, Natal, Paraú, São Miguel, Upanema, Serra do Mel, Pau dos Ferros e José da Penha.
Entre os alvos da operação está o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra. Em manifestação publicada em seu perfil no Instagram, o gestor confirmou que agentes da Polícia Federal estiveram em sua residência e que houve apreensão de equipamentos eletrônicos, incluindo celular, notebook e discos rígidos com arquivos pessoais.
Allyson Bezerra se manifestou publicamente nas redes sociais. Alvo de mandado de busca e apreensão, o gestor usou seu perfil no Instagram para se defender, afirmar que colaborou com a PF e sugerir que a investigação tem relação com o cenário político estadual e eleitoral.
Na gravação, Allyson confirmou que agentes da Polícia Federal estiveram em sua residência e que recebeu a equipe sem resistência. “Hoje agentes da PF estiveram na minha casa e os recepcionei com muita cordialidade”, afirmou. Segundo ele, foram apreendidos um celular, um notebook e dois discos rígidos que guardam arquivos pessoais acumulados ao longo da vida. O prefeito destacou que permanece em casa, com a família, sem qualquer medida restritiva.
Ao tratar do mérito da investigação, Allyson afirmou que não tem “compromisso com o erro” e que acredita na Justiça. “Acredito na justiça e por ela lutarei todos os dias da minha vida”, declarou. Ele reforçou que a apuração se refere a fatos de 2023 relacionados ao fornecimento de medicamentos e citou a edição de um decreto municipal, naquele mesmo ano, que determinou o uso obrigatório do sistema Hórus, plataforma do governo federal para controle e rastreamento de medicamentos no Sistema Único de Saúde. “Na época foi visto como burocracia, hoje vejo como transparência que demos para a gestão”, disse.
Um dos pontos centrais da fala foi a associação entre a investigação e o atual contexto político. Allyson sugeriu que o avanço do caso ocorre em um momento específico, às vésperas do ciclo eleitoral de 2026, ano em que seu nome passou a ser citado como pré candidato ao Governo do Estado. “É um processo de 2023, mas agora, em 2026, ano eleitoral, ano em que nosso nome desponta em primeiríssimo lugar para o governo do Estado, é que houve essa investigação e a presença da PF na minha casa”, afirmou.
Sem citar diretamente adversários ou agentes políticos, o prefeito indicou que não se surpreende com o surgimento de fatos desse tipo em um ano pré eleitoral. “Não poderia esperar que eu passaria este ano sem que nada fosse feito contra mim”, disse, ao mencionar que comunicou o decreto sobre o uso do sistema Hórus ao Tribunal de Contas do Estado, ao Ministério Público do Rio Grande do Norte e a outros órgãos de controle.
A fala também teve forte tom religioso. Allyson recorreu diversas vezes à fé para sustentar sua defesa e transmitir confiança no desfecho da investigação. “Estou na minha casa, com minha família em paz e com muita fé em Deus e com sentimento de justiça”, afirmou. Em outro momento, declarou que “acima de mim, acima de você, acima de qualquer um, tem um Deus todo poderoso que é justo”.
Ao final, o prefeito afirmou que seguirá à disposição das autoridades e que deseja que a investigação seja conduzida com rigor. “Faço questão que toda a investigação seja conduzida com todo o rigor da lei”, disse, acrescentando que, se houver irregularidades em qualquer ponto ou em qualquer município, espera que os responsáveis sejam punidos. Allyson também agradeceu manifestações de apoio e pediu que informações falsas sejam corrigidas, reafirmando que sua gestão sempre foi pautada pela transparência.
A Polícia Federal informou que a investigação segue em andamento. Até o momento, não há afastamento de cargo nem imputação formal de culpa ao prefeito.