O Senado aprovou o projeto que eleva o piso salarial de médicos e dentistas de R$ 3.636 para R$ 13.662 em jornadas de 20 horas semanais. A medida, considerada uma vitória histórica pelas categorias, traz consigo um impacto fiscal estimado em R$ 47 bilhões por ano, segundo cálculos do Ministério da Fazenda.
Esse valor pressiona diretamente o arcabouço fiscal, que limita o crescimento das despesas à variação da receita. Para estados e municípios, o desafio é ainda maior: embora o texto preveja repasses do Fundo Nacional de Saúde para cobrir parte dos custos, gestores locais alertam que a medida pode comprometer investimentos em programas essenciais e infraestrutura da saúde.
Governadores e prefeitos já manifestam preocupação com a sustentabilidade da proposta. Muitos afirmam que, sem reforço permanente de recursos federais, será impossível cumprir o novo piso sem cortes em outras áreas ou atrasos em pagamentos.
Politicamente, Lula se vê numa encruzilhada. Se sancionar, ganha apoio das categorias médicas e odontológicas, mas corre o risco de fragilizar sua credibilidade junto ao mercado e à equipe econômica. Se vetar, preserva o orçamento, mas enfrenta desgaste com duas classes organizadas e influentes.
O projeto ainda precisa ser votado na Câmara, onde o Governo pode tentar segurar a votação ou modificar o projeto analistas avaliam que o projeto propondo o escalonamento do reajuste ou ajustes no texto para reduzir o impacto.