O lançamento da plataforma colaborativa que vai orientar a elaboração do plano de governo do pré-candidato ao Governo do Estado, Cadu Xavier, serviu nesta terça-feira (2) não apenas para coletar propostas da população, mas também para mobilizar a militância petista e consolidar o palanque que o partido pretende apresentar no Rio Grande do Norte para a campanha presidencial de 2026.
O evento reuniu dirigentes partidários, movimentos sociais, representantes de entidades e militantes no auditório da Arena das Dunas e contou com a presença do presidente nacional do PT, Edinho Silva. A iniciativa ocorre em sintonia com uma estratégia nacional da legenda que lançou uma plataforma semelhante para receber sugestões destinadas ao programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que buscará a reeleição.
Nos dois casos, a proposta vai além da elaboração de programas administrativos. O objetivo é criar espaços de debate político, ativar a militância e fortalecer as bases eleitorais do partido antes do início oficial da campanha.
Durante a agenda em Natal, Edinho aproveitou para reforçar a composição política que o PT pretende defender no estado. Edinho Silva foi direto ao afirmar que "o palanque do presidente Lula" no Rio Grande do Norte é formado por Cadu Xavier para o Governo, Samanda Alves e Rafael Motta para o Senado, procurando transmitir uma mensagem de unidade em torno da chapa que vem sendo construída pela governadora Fátima Bezerra.
A fala tem peso especial porque a definição das vagas para o Senado continua sendo um dos temas mais sensíveis da aliança governista. Questionado sobre a composição das suplências, Edinho evitou interferir diretamente e afirmou que a condução do processo caberá às lideranças locais. Há uma insatisfação com a tentativa do ex-senador Jean Paul Prates de ficar na primeira suplência de Rafael Mota, ambos estão filiados ao PDT, mas há outros aliados que pleiteiam uma vaga na suplência.
A escalação do time de Lula pelo presidente petista também é uma forma de deixar claro que a senadora Zenaide Maia (PSD), embora seja vice-líder do governo no Senado, não está nem no banco na escalação oficial do partido para as eleições deste ano.
Outro desafio enfrentado pela direção petista é a consolidação do nome de Rafael Motta junto à militância do partido. Apesar do acordo político firmado com o PDT, setores do PT ainda manifestam resistência à sua presença na chapa. Nas redes sociais e em grupos ligados à legenda, voltaram a circular nas últimas semanas vídeos e registros de votações da época em que Rafael exercia mandato de deputado federal, incluindo seu voto favorável ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016.
Além disso, dirigentes partidários reconhecem que o ex-deputado acumulou divergências com setores do PT em diferentes momentos da última década. A presença de Edinho Silva em Natal e a defesa explícita da aliança foram interpretadas como um sinal de que a direção nacional considera a composição com o PDT uma questão estratégica para 2026.
A avaliação de integrantes da base governista é que Rafael Motta pode ampliar o alcance eleitoral da chapa para segmentos que não se identificam diretamente com o PT. Há inclusive quem considere que ele possui potencial para atrair um eleitorado mais amplo e ter mais votos do que a própria Samanda Alves, que representa o núcleo político mais próximo da governadora Fátima Bezerra.
Nesse cenário, a construção participativa dos programas de governo funciona como uma ferramenta de mobilização e organização política. Ao abrir espaço para sugestões populares, o PT busca envolver militantes, movimentos sociais e apoiadores na formulação de propostas, ao mesmo tempo em que fortalece sua rede de apoiadores e prepara o ambiente para a disputa eleitoral.