O Rio Grande do Norte consolidou-se como a principal força econômica doméstica do Nordeste, alcançando o topo do ranking de rendimento domiciliar per capita na região. Segundo estudo de pesquisadores do FGV Ibre, repercutido pelo jornal Valor Econômico na edição desta quinta-feira, o estado atingiu a marca de R$ 1.819 em 2025, superando vizinhos com parques industriais mais robustos, como Pernambuco, Ceará e Bahia.
O levantamento, que analisou o período de 2012 a 2025 com valores atualizados pelo IPCA, revela que a renda potiguar saltou de R$ 1.124 para o patamar atual, uma das expansões mais sólidas da série histórica. No contexto nacional, o país viu a renda média chegar a R$ 2.316, mostrando que, embora o RN lidere regionalmente, o desafio da convergência com as médias do Sul e Sudeste ainda é grande.
A análise técnica do economista Flávio Ataliba, um dos autores da pesquisa, aponta que o crescimento no Nordeste foi impulsionado pela valorização do salário mínimo e pela ampliação de programas sociais desde 2022. No caso específico do Rio Grande do Norte, soma-se a isso a estabilidade proporcionada pelo peso do setor público e a resiliência do setor de serviços e turismo, que distribuem renda de forma mais direta às famílias.
Entretanto, o estudo faz um alerta sobre a "estagnação dos extremos": enquanto o Distrito Federal lidera isolado com R$ 4.538, o Maranhão permanece na base da pirâmide (R$ 1.219). Para Ataliba, a superação desse desequilíbrio regional exige mais do que auxílios governamentais; é necessária uma política nacional de Estado focada em infraestrutura e qualificação de capital humano.
Para o Rio Grande do Norte, o cenário é de otimismo cauteloso. A liderança regional confirma o aumento do poder de compra local, mas a sustentabilidade desse avanço depende agora de converter a renda em produtividade e novos investimentos estruturantes.