O Rio Grande do Norte reúne algumas das principais vantagens competitivas apontadas para impulsionar a economia nordestina na próxima década. Liderança na geração de energia renovável, produção de petróleo e gás, posição estratégica para novos investimentos industriais e potencial para a economia de baixo carbono colocam o Estado entre os candidatos a aproveitar um novo ciclo de expansão regional.
Estudo da Tendências Consultoria, divulgado pelo jornal Valor Econômico, projeta que o Nordeste deverá liderar o crescimento econômico brasileiro nos próximos anos, sustentado principalmente pela indústria e por grandes investimentos em infraestrutura. A estimativa é de expansão de 3,3% ao ano entre 2028 e 2035, acima da média nacional, prevista em 2,4%.
A lista de investimentos apresentada pelo levantamento mostra, no entanto, que a maior parte dos grandes empreendimentos está concentrada em estados vizinhos. O Ceará receberá um data center estimado em R$ 200 bilhões, além da construção de uma refinaria privada no Complexo do Pecém. Pernambuco amplia a Refinaria Abreu e Lima e expande seu polo automotivo. A Bahia reúne investimentos na indústria automobilística, combustíveis renováveis, mineração e infraestrutura ferroviária. Sergipe deverá receber novas plataformas de exploração de petróleo da Petrobras.
O Rio Grande do Norte aparece pelas oportunidades abertas pela transição energética e pelo crescimento da demanda mundial por energia limpa.
O estudo destaca que o Nordeste já se consolidou como a principal região produtora de energia eólica e solar do país. Em 2025, foram gerados 139 terawatts-hora de eletricidade renovável, dos quais mais da metade foi exportada para outras regiões brasileiras. Essa disponibilidade de energia é apontada como um dos principais atrativos para empresas intensivas em consumo elétrico. (
É justamente nesse ponto que o Rio Grande do Norte possui uma vantagem competitiva. O Estado lidera a geração nacional de energia eólica, amplia rapidamente a produção solar e concentra ainda reservas de petróleo, gás natural e a maior produção de sal marinho do Brasil, matéria-prima que poderá ganhar importância em novas cadeias industriais, como a fabricação de baterias de sódio.
Outro fator citado pela Tendências é o chamado powershoring, estratégia em que empresas escolhem instalar fábricas em regiões capazes de oferecer energia renovável abundante e competitiva para reduzir as emissões de carbono. Data centers, indústrias químicas, siderúrgicas, produtores de hidrogênio de baixo carbono e outras atividades eletrointensivas aparecem entre os segmentos com maior potencial de expansão no Nordeste.
A região, no entanto, ainda enfrenta obstáculos importantes. A insuficiência das linhas de transmissão provocou sucessivos cortes obrigatórios na geração de energia renovável desde 2024, reduzindo investimentos e provocando prejuízos bilionários ao setor. O próprio estudo considera que a ampliação da infraestrutura elétrica será decisiva para sustentar o crescimento previsto para a próxima década.
A consultoria também chama atenção para outro desafio histórico da região. Embora o Nordeste deva crescer acima da média brasileira, a produtividade do trabalho continua entre as menores do país e os indicadores educacionais permanecem abaixo da média nacional. Segundo os autores do estudo, elevar a qualificação da mão de obra será condição necessária para transformar o atual ciclo de investimentos em desenvolvimento econômico sustentável e de longo prazo.
RN lidera PIB per capita, mas cresce menos que vizinhos
O Rio Grande do Norte chega ao novo ciclo de investimentos do Nordeste como o estado com maior PIB per capita da região, segundo dados do Banco do Nordeste (BNB) citados pelo jornal Valor Econômico. Ao mesmo tempo, as projeções da Tendências Consultoria mostram que a economia potiguar deverá crescer abaixo da média de vários vizinhos que concentram os maiores aportes industriais e de infraestrutura.
Para 2026, a estimativa é de expansão de 1,4% do PIB do RN, chegando a 2% em 2027. No mesmo período, Pernambuco deve crescer 2,5% e 1,6%; Ceará, 2,4% e 1,8%; Maranhão, 2,1% e 2,3%; Alagoas, 2,2% e 2,3%; e Piauí, 2,5% e 3,3%.
O contraste fica mais evidente quando se observa o tamanho das economias estaduais. O Rio Grande do Norte registrou PIB de R$ 121,1 bilhões em 2025, o equivalente a cerca de 6,9% da economia nordestina. A Bahia alcançou R$ 494,3 bilhões, Pernambuco R$ 312,1 bilhões e o Ceará R$ 273,7 bilhões. Juntos, esses três estados concentram 61% de toda a riqueza produzida no Nordeste.
Com população estimada em 3,45 milhões de habitantes, o RN apresenta o maior PIB per capita regional, de R$ 35.047, acima de Pernambuco (R$ 32.638), Bahia (R$ 33.236) e Ceará (R$ 29.531). O desempenho é sustentado principalmente pela produção de petróleo em terra, na qual o Estado continua líder nacional, pela geração de energia eólica, pela fruticultura de exportação e pelo turismo.
A diferença é que os grandes projetos anunciados para a próxima década estão concentrados em outros estados. O Ceará receberá um data center estimado em R$ 200 bilhões e projetos ligados ao hidrogênio verde. Pernambuco terá a ampliação da Refinaria Abreu e Lima, com investimento de R$ 12 bilhões, e a expansão do polo automotivo da Stellantis, de R$ 13 bilhões. A Bahia reúne investimentos em automóveis elétricos, combustíveis renováveis, mineração e infraestrutura ferroviária.