Em um cenário eleitoral onde a segurança pública tende a centralizar os debates, o pré-candidato ao governo, Cadu Xavier (PT), tem ao menos isso a seu favor na campanha que se aproxima. O governo tem anunciado os resultados obtidos com a estratégia de contrapor a tendência nacional de tema ser explorado pelos candidatos de direira que sempre buscam colar no PT a culpa pelo aumento da criminalidade e a sensação de insegurança.
O balanço mais recente da pasta aponta quedas em indicadores críticos de criminalidade em eventos estratégicos. Durante o Carnaval de 2026, o governo registrou, segundo a SESED, a ausência de ocorrências graves como feminicídios, latrocínios e homicídios nos dias de festa. O monitoramento oficial estendeu-se à Semana Santa, classificada pelas autoridades como a mais segura da última década no Rio Grande do Norte.
Agora, o governo começa a divulgar as estatísticas de outros tipos de crimes. No caso dos roubos de veículos, por exemplo, o Rio Grande do Norte consolidou-se como o terceiro estado com o menor número de roubos na região Nordeste durante o primeiro trimestre de 2026, contabilizando 263 ocorrências, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O desempenho potiguar coloca o estado à frente de vizinhos como Ceará, Paraíba e Pernambuco — este último, com o maior volume regional, somando 2.409 casos — e destaca-se em um ranking liderado positivamente apenas por Sergipe e Alagoas.
Ao comparar os primeiros três meses de 2026 com o mesmo período do ano anterior, o estado registrou uma redução de 32,39%, passando de 389 para 263 roubos. A gestão do governo, da qual Cadu Xavier participou como titular da Fazenda até o final de março, atribui a estabilidade à integração entre as polícias e ao uso de inteligência estatística via Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análises Criminais (COINE). A narrativa da pré-campanha busca associar a viabilidade fiscal, gerida por Xavier, à capacidade de investimento em tecnologia e planejamento estratégico aplicado às forças de segurança.
Embora o tema seja um trunfo para o grupo governista, o desafio de Xavier permanece na interpretação da série histórica completa e na percepção da população fora dos períodos festivos, uma vez que dados de monitoramento contínuo da criminalidade permanecem sob escrutínio da oposição. O pré-candidato aposta, contudo, na tese de que a continuidade das políticas atuais é o caminho para a manutenção da tendência de queda nos índices de violência.