O medo da violência no Brasil mudou de perfil. Se durante décadas a principal preocupação da população era morrer em um assalto ou ser vítima da criminalidade armada nas ruas, hoje o maior temor dos brasileiros é cair em golpes digitais e perder dinheiro pelo celular ou pela internet. A mudança acompanha o avanço do Pix, dos bancos digitais e da digitalização acelerada da economia brasileira.
Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha mostra que 83,2% dos entrevistados têm medo de sofrer fraudes digitais. O índice supera o receio de ser roubado por criminosos armados, citado por 82,3%, e o medo de morrer em um assalto, com 80,7%.
O celular se transformou no principal símbolo dessa nova insegurança. Além de concentrar aplicativos bancários, documentos e dados pessoais, o aparelho passou a ser alvo de criminosos especializados em fraudes financeiras, invasões de contas, falsas centrais bancárias e golpes por aplicativos de mensagem.
O levantamento mostra que os crimes digitais já são também os mais sofridos pela população. Cerca de 15,8% dos entrevistados disseram ter sido vítimas de golpes por celular ou computador nos últimos 12 meses, o equivalente a aproximadamente 26 milhões de brasileiros.
A pesquisa revela ainda uma contradição importante. Enquanto o medo cresce, os indicadores tradicionais de violência seguem em queda. O número de homicídios caiu de 12.719 no primeiro trimestre de 2016 para 7.289 no mesmo período de 2026. Os latrocínios também recuaram.
Especialistas avaliam, porém, que a experiência da criminalidade se ampliou. O medo deixou de estar concentrado apenas na rua e passou a entrar dentro de casa pela tela do celular.
O estudo aponta ainda que 96% dos brasileiros convivem com algum tipo de medo relacionado ao crime. Entre as mudanças de hábito mais comuns estão deixar de sair com o celular, evitar andar à noite e mudar trajetos diários para tentar reduzir riscos.