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As chapas começam a rachar antes mesmo das convenções

Falta pouco mais de um mês para o encerramento das convenções partidárias, prazo em que, embora não se possa mais mudar de partido, ainda será possível substituir candidatos, acomodar novos nomes e até registrar desistências. Em tese, é o período para os últimos ajustes nas chapas proporcionais. Na prática, porém, o que se vê nos bastidores da política potiguar é um ambiente de desconfiança. Em vez de alianças fortalecidas, partidos e federações convivem com disputas internas, cobranças e conflitos entre candidatos que, dentro de poucas semanas, precisarão pedir votos lado a lado.

O caso mais recente envolve a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB. Nos bastidores, pré-candidatos do PV demonstram preocupação com a composição da chapa para deputado estadual. A avaliação é que o PT tem concentrado seus principais esforços na disputa por vagas na Câmara dos Deputados, deixando a nominata estadual praticamente restrita aos três parlamentares que já possuem mandato.

Hoje, os principais nomes petistas para a Assembleia Legislativa são os atuais deputados Isolda Dantas, Francisco do PT e Divaneide Basílio. Fora esse grupo, ainda não surgiram nomes competitivos capazes de ampliar o potencial eleitoral da chapa.

A situação preocupa especialmente o PV, que reúne um número maior de pré-candidatos considerados competitivos. Entre eles estão os deputados estaduais Ubaldo Fernandes, Eudiane Macedo, e Ivanilson Oliveira e Kaline Amorim, esposa do deputado estadual Dr. Bernardo, que também deve disputar uma vaga na Assembleia Legislativa.

Integrantes do PV avaliam que, caso o PT não apresente novos candidatos com capacidade de fazer a chamada “esteira” para somar votos para a nominata estadual, a federação poderá eleger apenas seis deputados estaduais. Nesse cenário, a tendência seria uma divisão equilibrada entre os partidos, com três cadeiras para o PT e três para o PV.

Esse resultado reduziria as chances de o PV fazer quatro deputados estaduais dentro da Federação. A avaliação é que uma chapa mais robusta, com maior número de candidatos competitivos distribuídos entre os partidos, aumentaria o volume de votos totais e abriria espaço para a conquista de uma sétima vaga.

A reclamação foi levada à presidente do partido Samanda Alves, que é candidata ao Senado, mas até agora reclamam de não ter havido uma movimentação para resolver o problema. Agora, os verdes querem levar o problema para a governadora Fátima Bezerra (PT) e se também não houver solução ameaçam cruzar os braços na disputa majoritária, especialmente para o Senado onde também não foram atendidos com a indicação de um suplente na chapa de Samanda.

Desunião progressista

O caso mais ruidoso ocorre na Federação União Progressista.Ali, o problema não é falta de candidatos. É excesso de fogo amigo.

Pré-candidato a deputado federal, Kelps Lima transformou os próprios colegas de federação em alvo preferencial de seus ataques. O candidato usa as redes sociais para atacar diretamente os atuais deputados federais Benes Leocádio, João Maia e, principalmente, Robinson Faria, todos candidatos à reeleição e a quem ele mira como principais adversários. Essa atitude tem sido vista como uma demonstração de que a Federação entre esses partidos não está unida em torno de um projeto político maior de eleição majoritária, mas sim dividida em torno de projetos políticos pessoais de cada um.

Nos últimos dias, Kelps voltou a subir o tom ao gravar um vídeo durante um evento em que Robinson também estava presente. Repetiu a crítica de que o ex-governador foi "o pior governador da história do Rio Grande do Norte". A declaração caiu como uma bomba dentro da própria federação.

O episódio provocou reação imediata. Segundo interlocutores, Robinson procurou o ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, pré-candidato ao Governo do Estado pelo União Brasil e antigo aliado de Kelps nos tempos de Solidariedade. A reclamação foi direta. Como pedir votos para uma chapa que é atacada por um dos próprios integrantes?

Nos bastidores, a insatisfação chegou ao ponto de Robinson admitir que poderia concentrar sua campanha apenas na busca da reeleição, deixando em segundo plano a participação na campanha majoritária de Allyson.

A tensão obrigou a cúpula da federação a agir. Entre a noite de terça-feira e esta quarta-feira, lideranças políticas passaram a pressionar Kelps para reduzir os ataques aos correligionários. A avaliação é que o comportamento fortalece a imagem de uma candidatura isolada, voltada exclusivamente para a própria eleição, sem compromisso com o desempenho coletivo da chapa.

Embora integrem uma mesma federação e compartilhem a soma dos votos, os partidos continuam disputando espaço internamente, já que a distribuição das cadeiras ocorre de acordo com o desempenho individual dos candidatos e de cada legenda dentro da própria aliança.

 


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