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CNPE aprova regras para offshore que preocupam o Nordeste

O Brasil acaba de dar um passo importante para tirar do papel a energia eólica em alto-mar, mas uma das primeiras decisões desse novo marco preocupa investidores. Hoje, existem 59 projetos de eólica offshore em licenciamento, somando mais de 134 GW, desse total, o Nordeste concentra mais de 60 GW em projetos. No Rio Grande do Norte, estado líder na geração de energia dos ventos em terra, a nova regra pode transformar potencial em incerteza.

A definição de diretrizes para regulamentar a eólica offshore, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética, era aguardada há meses pelo mercado. Ela abre caminho para o decreto que vai organizar o setor, e, espera-se, destravar investimentos bilionários e permitir que os primeiros projetos saiam da fase de estudos. O problema é que um dos critérios já anunciados pode atingir em cheio os planos no Nordeste.

A proposta considera uma distância mínima de cerca de 22 quilômetros da costa para instalação dos parques. À primeira vista, parece um detalhe técnico. Na prática, é uma mudança com efeitos profundos, especialmente no litoral potiguar.

O Rio Grande do Norte abriga o primeiro projeto brasileiro de eólica offshore e ja obteve licença prévia ambiental, em Areia Branca, justamente dentro de uma faixa mais próxima da costa. A iniciativa foi desenhada para testar tecnologias, formar mão de obra e preparar o terreno para uma nova indústria. Com a nova referência de distância, esse tipo de projeto passa a operar no limite ou até fora do padrão sugerido.

A dificuldade aumenta por causa da própria geografia. No litoral do Nordeste, o mar se torna profundo rapidamente. Quanto mais longe da costa, maior a necessidade de estruturas flutuantes, que ainda custam mais caro e são menos difundidas do que as fundações fixas. Isso eleva o investimento, encarece a operação e pode comprometer a viabilidade econômica de parte relevante dos empreendimentos.

O impacto tende a ser desigual no país. Enquanto projetos do Sudeste sofrem menos pressão, o Nordeste concentra boa parte das iniciativas em estudo e pode perder competitividade. No caso do Rio Grande do Norte, que tenta repetir no mar a liderança já consolidada em terra, o risco é ver atrasar uma oportunidade estratégica de desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, o próprio governo admite que os parâmetros ainda podem ser ajustados com base em estudos técnicos mais detalhados. Isso mantém aberta uma janela para revisão e negociação com o setor.

 

 


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