A chegada de uma pílula para emagrecimento ao Brasil, prevista para 2027, deve intensificar a corrida bilionária da indústria farmacêutica por medicamentos contra obesidade. O novo produto é desenvolvido pela Eli Lilly e já foi aprovado nos Estados Unidos, marcando uma nova etapa nesse mercado em rápida expansão.
O medicamento não é uma versão em comprimido do Mounjaro, principal aposta atual da empresa, mas sim um novo composto, com princípio ativo chamado orforglipron. Trata-se de um GLP-1 não peptídico, com maior facilidade de absorção pelo organismo e sem necessidade de restrições alimentares, o que pode ampliar o acesso e a adesão dos pacientes.
No Brasil, a expectativa de chegada depende da análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, mas, em cenário considerado ideal pela empresa, o lançamento ocorreria ao longo de 2027. A novidade surge após o sucesso do Mounjaro no país, lançado em 2025, cujas vendas cresceram mais de 200%, impulsionadas pela alta demanda por tratamentos para perda de peso e controle do diabetes.
Esse avanço acompanha a expansão do mercado brasileiro de medicamentos dessa classe, que movimentou cerca de R$ 9,6 bilhões no ano passado, com a comercialização de 8,9 milhões de unidades, segundo dados do setor.
A Eli Lilly ganhou espaço em um segmento historicamente liderado pela dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante de medicamentos como Ozempic e Wegovy. A disputa tende a se intensificar com a expiração da patente da semaglutida, princípio ativo desses produtos, abrindo caminho para novos concorrentes.
Mesmo diante desse cenário, a farmacêutica aposta no diferencial de seu portfólio. O Mounjaro utiliza a tirzepatida, uma molécula que atua como agonista duplo de hormônios intestinais, ampliando os efeitos sobre controle glicêmico e saciedade. Sua patente deve vigorar até 2036.
Atualmente, a empresa opera no Brasil por meio de importações, após ter encerrado sua produção local em 2018. Ainda assim, o país é considerado estratégico, sendo o principal mercado da Lilly na América Latina e o quinto maior do mundo para a companhia.
Embora não haja decisão formal sobre produção local, a empresa não descarta novos investimentos industriais, em linha com os aportes globais que já superam US$ 50 bilhões em manufatura.
Além da área comercial, a farmacêutica também amplia sua presença em pesquisa clínica no Brasil. Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento somaram US$ 55 milhões em 2025 e devem alcançar US$ 85 milhões em 2026, com foco em estudos de fase 3.
Globalmente, a companhia registrou receita de US$ 65,1 bilhões em 2025, crescimento de 45%, e lucro líquido de US$ 20,6 bilhões. O desempenho reforça o peso crescente dos medicamentos para emagrecimento na estratégia da indústria farmacêutica mundial.