A campanha eleitoral de 2026 mal começou oficialmente e a Justiça Eleitoral já enfrenta situações que antecipam um dos principais problemas da disputa deste ano. O ambiente digital combina velocidade de propagação, conteúdo político agressivo, acusações sem comprovação e ferramentas de inteligência artificial capazes de produzir material em grande escala.
Nos últimos dias, três episódios ajudam a dimensionar o desafio. O Tribunal Superior Eleitoral confirmou por unanimidade a decisão que proibiu o PL de impulsionar um vídeo com críticas ao presidente Lula, ao governo federal e ao PT. O conteúdo mencionava nomes como Deolane Bezerra, MC Poze do Rodo, MC Ryan e Oruam. A Corte manteve a proibição de que o partido volte a pagar para ampliar o alcance daquele material ou de conteúdo substancialmente equivalente.
Em outro caso, o TSE determinou a remoção de uma publicação no X que acusava o senador Flávio Bolsonaro de ser o mandante do assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo. A decisão considerou que a acusação atribuía ao pré-candidato um crime grave sem apresentar elementos mínimos de prova.
Também no campo da segurança, a Polícia do Senado cumpriu, no sábado (15), mandado de busca e apreensão contra um homem suspeito de ameaçar Flávio Bolsonaro pelas redes sociais. A publicação, feita no Facebook sobre uma agenda do candidato em Juiz de Fora, continha uma ameaça acompanhada de emojis de facas. Dispositivos eletrônicos foram apreendidos para perícia.
Os três episódios são diferentes, mas têm um ponto em comum. Todos nasceram ou ganharam dimensão a partir das redes sociais e exigiram algum tipo de intervenção institucional.
A inteligência artificial acrescenta uma nova dificuldade. A tecnologia permite produzir textos, imagens, áudios e vídeos com aparência cada vez mais convincente e adaptar uma mesma mensagem para diferentes públicos em poucos minutos.
O desafio para a Justiça Eleitoral não será apenas decidir o que pode ou não permanecer no ar. Será identificar a origem do conteúdo, quem financiou sua distribuição, quem participou de sua produção e qual foi o alcance obtido antes de eventual retirada.
A experiência das últimas semanas mostra que essa disputa já começou a chegar aos tribunais. Com a campanha em andamento e a produção digital aumentando, a capacidade de fiscalização da Justiça Eleitoral será submetida a uma pressão ainda maior.