O Rio Grande do Norte está presente ainda timidamente no Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, lançado nesta quarta-feira (12) pelo governo federal. O documento servirá de referência para os investimentos em infraestrutura de transportes nas próximas décadas e prevê a mobilização de R$ 1,225 trilhão até 2050, sendo R$ 734,4 bilhões de origem privada e R$ 490,5 bilhões de recursos públicos.
Os maiores corredores ferroviários e intermodais do Nordeste estejam concentrados em estados como Bahia, Pernambuco, Ceará, Piauí e Maranhão, o RN aparece em projetos considerados estratégicos para ampliar a integração logística regional que até podem fortalecer sua competitividade econômica, mas longe dos grandes investimentos especialmente no transporte de cargas.
O principal destaque é a implantação da ferrovia Natal-Macau, incluída no eixo "Ligação Ferroviária no Litoral do Nordeste". O corredor também prevê a ampliação da Transnordestina ao longo da costa nordestina, conectando capitais e ampliando a participação do transporte ferroviário na região.
Na área portuária, o plano estabelece a ampliação dos complexos portuários de Natal e Areia Branca/Macau, com aumento da capacidade de movimentação de cargas. A proposta busca consolidar o papel dos portos potiguares nos fluxos de exportação e abastecimento do Nordeste.
O estado integra o corredor rodoviário Fortaleza-Salvador, um dos principais eixos estruturantes previstos no PNL. Entre as intervenções destacadas estão melhorias na BR-304, principal ligação entre Natal, Mossoró e o Ceará. A rodovia já está em processo de duplicação e aparece no plano como infraestrutura estratégica para a circulação de mercadorias e pessoas no Nordeste.
Além da BR-304 e de melhorias na BR-101, não especificadas no documento, o Plano prevê a requalificação da BR 104, criada da partir da federalização de trechos de rodovias estaduais e que liga a divisa com a Paraíba até Macau, passando por Pendências, Pedro Avelino, Afonso Bezerra, Lajes, Cerro Corá, Campo Redondo e Coronel Ezequiel até Jaçanã. O plano também inclui melhorias na RN-221, rodovia que liga Areia Branca, Macau e São Bento do Norte, fortalecendo a conexão entre áreas produtoras e os complexos portuários do litoral norte potiguar.
O lançamento do PNL 2050 marca apenas a primeira etapa do novo ciclo de planejamento da infraestrutura nacional. A partir de agora, o governo federal deverá elaborar os chamados planos setoriais, previstos no Planejamento Integrado de Transportes (PIT), que irão detalhar as intervenções em cada modal — rodoviário, ferroviário, hidroviário, portuário e aeroportuário. Esses documentos definirão prioridades, estimativas de investimento, cronogramas e os modelos de execução, indicando quais projetos serão conduzidos por recursos públicos, concessões ou parcerias com a iniciativa privada.
Segundo o Ministério dos Transportes, a expectativa é concluir esses planos ainda este ano. Somente após essa etapa será possível identificar quais empreendimentos sairão do papel primeiro e qual será o volume efetivo de recursos destinado a cada região.
Apesar dos avanços previstos em rodovias, ferrovias e portos, o RN ficou de fora dos investimentos estruturantes para o modal aéreo. O PNL reconhece dificuldades de integração aérea em regiões do interior nordestino, mas os projetos aeroportuários priorizados ficaram concentrados na Macrometrópole de São Paulo, com ampliações em Guarulhos, Congonhas, Viracopos e São José dos Campos, além da implantação do aeroporto de Guarujá.
A ausência de projetos aeroportuários chama atenção diante do potencial logístico do Aeroporto Internacional Aluízio Alves, frequentemente apontado como ativo estratégico para cargas e voos internacionais na região.
Segundo o Ministério dos Transportes, o PNL 2050 foi elaborado com foco na diversificação da matriz de transportes, hoje fortemente dependente das rodovias, e na redução das desigualdades regionais. O Nordeste aparece como uma das áreas prioritárias da estratégia nacional, especialmente por seu potencial produtivo, portuário e de integração com novos corredores de exportação.